Os moradores do Bairro Militar ameaçaram, nesta segunda-feira, 25 de maio de 2026, suspender o pagamento das taxas do mercado à Câmara Municipal de Bissau, alegando que a instituição não tem cumprido com o seu dever de remover o lixo acumulado no local.
Segundo os residentes, o lixo permanece há mais de dois meses no mercado, provocando mau cheiro e atraindo ratos, uma situação que consideram grave e prejudicial à saúde pública.
Em representação da comunidade, Hamsa Abdel Cader Seide afirmou que o acúmulo de resíduos ultrapassou todos os limites aceitáveis. Por isso, decidiu-se que, a partir de 26 de maio, o mercado central do Bairro Militar deixará de ser cobrado pela Câmara Municipal de Bissau.
Para fazer face à situação, foi anunciada a criação de uma comissão comunitária responsável por gerir e controlar o funcionamento do mercado enquanto persistir o problema do lixo.
De acordo com Seide, os próprios moradores pretendem assumir temporariamente a cobrança das taxas, destinando os fundos arrecadados ao aluguer de viaturas para a remoção do lixo, com o objetivo de reduzir os riscos para a saúde dos utentes.
O representante comunitário revelou ao O Democrata ainda que, após uma denúncia apresentada na semana passada, a Câmara Municipal enviou uma viatura que realizou apenas duas operações de limpeza, sem regressar posteriormente ao local.
O porta-voz deixou claro que os moradores não procuram atos pontuais de solidariedade, mas sim soluções concretas e mecanismos eficazes para resolver os problemas relacionados com a recolha de lixo e outras questões semelhantes.
Perante a situação, Seide apelou ao Governo para que assuma a sua responsabilidade na proteção das populações e adote medidas urgentes para resolver o problema de saneamento no mercado central do Bairro Militar.
Por sua vez, Cadi Camará, em representação das mulheres vendedeiras do mercado, lamentou as condições em que exercem as suas atividades comerciais. Segundo ela, o mau cheiro causado pelo lixo tem afetado seriamente os negócios e afastado clientes.
A comerciante questionou ainda o destino das verbas arrecadadas com as taxas do mercado, já que, segundo afirmou, a Câmara Municipal não tem garantido os serviços básicos de limpeza, sobretudo neste período das chuvas.
Apesar disso, Cadi Camará reiterou que as vendedeiras mantêm firme a decisão de não pagar as taxas enquanto o lixo não for removido.
Por: Carolina Djeme


















