A exportação da castanha de caju na Guiné-Bissau arrancou nesta segunda-feira, 1 de junho de 2026, sob novas regras de controlo implementadas pelo Governo de transição, com o objetivo de garantir maior transparência no processo e evitar perdas registadas em campanhas anteriores.
Na abertura da báscula para a exportação, o ministro do Comércio e Indústria, Jaimantino Có, afirmou que o executivo está a reforçar os mecanismos de fiscalização da quantidade exportada e das empresas envolvidas, que deverão apresentar os seus desempenhos no final da campanha.
Segundo o governante, o novo sistema permite monitorizar, com maior rigor, os volumes de castanha de caju que entram e saem do país. Em Safim, explicou, os operadores podem encaminhar a carga para qualquer báscula, onde são controlados os quilogramas destinados à exportação.
“Se alguém comprar 5 mil toneladas e, no processo de exportação, declarar apenas 2 mil toneladas, o sistema vai fornecer as informações e justificar o desaparecimento das restantes”, explicou.
Jaimantino Có recordou que, em 2025, cerca de 40 mil toneladas de castanha de caju ficaram sem registo adequado, situação que o Governo pretende evitar com os novos mecanismos ora implementados.
O ministro destacou ainda a importância do setor para o país, sublinhando que mais de 60% da população guineense depende direta ou indiretamente do caju, considerado um verdadeiro “motor” da economia nacional e um fator de redução da vulnerabilidade social.

“Hoje estamos a dar início ao processo de exportação. Todas as instituições aqui presentes vão trabalhar de mãos dadas”, afirmou.
Por sua vez, o ministro da Economia, Plano e Integração Regional, Mamadú Mudjetaba Djaló, considerou que a campanha de comercialização da castanha de caju constitui uma das atividades económicas e comerciais mais relevantes da Guiné-Bissau.
De acordo com o governante, a castanha de caju representa, de grosso modo, a principal fonte de receitas fiscais do Tesouro Público, gerando impactos significativos desde o produtor até ao processo de exportação.
“Ouvimos com satisfação o diretor-geral da APGB, que garantiu existirem todas as condições materiais para o sucesso do processo. Essas condições vão permitir maior fluidez nas dinâmicas de exportação. É isso que queremos”, afirmou.
Mamadú Djaló apelou ainda ao registo rigoroso dos dados, à cobrança adequada das receitas e à sua canalização para o Tesouro Público, destacando que esse processo permitirá reforçar o financiamento das políticas públicas, nomeadamente nos setores da educação, saúde e infraestruturas.
Por: Natcha Mário M’bundé
















