PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO DE TEQBALL DEFENDE PLANO ESTRATÉGICO

O presidente da Federação de Teqball da Guiné-Bissau, Afonso Henrique Djú, afirmou que o país não pode pensar no desenvolvimento do setor desportivo sem um plano estratégico e operacional que permita alcançar resultados a curto, médio e longo prazo nas diferentes modalidades.

“Quando falamos do desporto sem um plano estratégico e operacional, capaz de produzir resultados a curto, médio e longo prazo, não conseguiremos atingir o desenvolvimento desejado. Não podemos continuar apenas à procura de culpados. Temos de pensar no crescimento do desporto nacional. Hoje em dia, esperamos apenas pelos resultados e, quando perdemos, começamos a apontar o dedo a determinadas figuras, sem nunca nos sentarmos para analisar as dificuldades enfrentadas ao longo do percurso”, afirmou.

Segundo Djú, o setor desportivo nacional enfrenta inúmeras dificuldades organizacionais que condicionam o seu progresso.

As declarações foram feitas esta quarta-feira, 3 de junho de 2026, durante o Café Jornalístico subordinado ao tema “Desporto: Perspetivas para a Juventude”, organizado pelo Sindicato de Jornalistas e Técnicos da Comunicação Social (SINJOTECS), em parceria com o Centro de Teatro do Oprimido/Fórum de Paz.

A iniciativa reuniu jornalistas desportivos de diversos órgãos de comunicação social e personalidades ligadas ao desporto, proporcionando um espaço de reflexão sobre o estado atual do setor desportivo na Guiné-Bissau e o seu contributo para a paz e para a criação de oportunidades para a juventude.

Na ocasião, Djú revelou que existem mais de 20 federações desportivas reconhecidas como de utilidade pública no país, mas apenas oito funcionam plenamente, beneficiando de apoios por integrarem organismos ligados ao movimento olímpico.

As restantes federações, segundo explicou, enfrentam sérias dificuldades financeiras, o que compromete a execução dos seus planos de atividades e o funcionamento regular das suas estruturas.

“Faço parte da Federação de Teqball, que já realizou várias iniciativas nas regiões. Contudo, chegou um momento em que as ações ficaram estagnadas devido à falta de acompanhamento e apoio do Governo para garantir a continuidade das atividades previstas”, lamentou.

Perante este cenário, Djú, mestre em Gestão Desportiva, defendeu que o Executivo deve dar prioridade à elaboração de um plano nacional de desenvolvimento do desporto, assente numa estratégia macro que sirva de referência para todas as federações.

O dirigente considera igualmente fundamental que as federações criem associações regionais, de forma a promover o desenvolvimento das respetivas modalidades em todo o território nacional.

“Outro aspeto fundamental é a construção de infraestruturas desportivas. Sem infraestrturas, não conseguiremos chegar a lado nenhum. Por mais criatividade que exista na procura de espaços para a prática desportiva, o desenvolvimento continuará limitado”, acrescentou.

Durante a sua intervenção, o presidente da Federação de Teqballalertou ainda que, sem infraestruturas modernas, a Guiné-Bissau terá dificuldades em desenvolver de forma sustentável as suas modalidades desportivas.

Apesar dos desafios, Afonso Henrique Djú destacou que o país dispõe atualmente de quadros qualificados, capazes de contribuir para a transformação e desenvolvimento do setor.

Além de Djú, participaram no Café Jornalístico os juristas FodéMané e Cabi Sanhá, o jornalista Julinha Sana Sambú e o diretor-geral da Escola Nacional de Educação Física e Desportos (ENEFED), Mário João Lopes Ferreira, conhecido por “Mário Iequine”.

Por: Alison Cabral

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