O presidente do Sindicato Nacional de Professores (SINAPROF), Domingos Carvalho, advertiu que o início e o sucesso do próximo ano letivo (2026/2027) dependerão da liquidação total das dívidas relativas aos professores contratados antes do arranque das aulas.
A declaração foi feita em entrevista telefónica ao jornal O Democrata, no âmbito da avaliação da decisão do coletivo de professores contratados que suspendeu, na segunda-feira, 8 de junho de 2026, a paralisação iniciada em maio.
Os professores decidiram suspender a greve denominada “Sinta na Casa” após a assinatura de um memorando de entendimento com o governo de transição, que se comprometeu a pagar os salários em atraso e a avançar com o processo de efetivação destes profissionais, uma das principais reivindicações da classe.
Domingos Carvalho alertou que a paralisação de três semanas resultou na perda de cerca de quinze dias letivos e deixou consequências negativas e irreparáveis na aprendizagem dos alunos. O dirigente destacou ainda que cerca de 4.639 professores permaneceram afastados, agravando a já existente falta de docentes no sistema educativo durante o ano letivo 2025/2026.
Segundo o sindicalista, a decisão de suspensão da greve baseou-se no princípio da boa-fé e na expectativa de cumprimento das promessas do governo, que anunciou o pagamento de um mês de salários.
Até ao momento da entrevista, Carvalho afirmou ter confirmado, em três bancos comerciais de Bissau, o início de pagamentos a um grupo de professores da mesma categoria. No entanto, alertou que um número significativo de docentes pode ainda ficar fora desta fase.

“O governo assumiu que, na próxima semana, iniciará uma nova fase de pagamentos que abrangerá todos os professores contratados”, afirmou.
Sobre os dias letivos perdidos, o presidente do SINAPROF defendeu que cabe ao governo avaliar os impactos e esclarecer à sociedade que tipo de qualidade de ensino pretende garantir neste ano letivo.
Questionado sobre o eventual impacto da decisão na luta sindical, Carvalho garantiu que a suspensão não compromete o processo reivindicativo, sublinhando que se trata de uma negociação coletiva baseada no respeito mútuo, na boa-fé e na expectativa de cumprimento dos compromissos assumidos pelo executivo.
O dirigente anunciou ainda a preparação de um “Manifesto”, que será divulgado em breve para alertar as autoridades sobre as condições necessárias para o arranque e o sucesso do próximo ano letivo.
Entre as principais exigências, destacou a necessidade de pôr fim ao modelo de contratação precária e assegurar o pagamento integral das dívidas. Defendeu também que todos os professores com formação pedagógica devem ser integrados no regime de ingresso na carreira.
“O modelo atual de contratação e descontratação representa uma forma de exploração em pleno século XXI”, criticou.
Relativamente à suspensão de professores em duas escolas públicas da região de Oio, Domingos Carvalho criticou a nomeação de diretores com base em afinidades partidárias, classificando a prática como sinal de “falta de conhecimento”.
O sindicalista lembrou que a gestão escolar deve respeitar o direito coletivo do trabalho, consagrado na Constituição, nas convenções internacionais e na legislação laboral.
“Será que estes diretores conhecem estes direitos? Acredito que foram nomeados na base da ignorância”, afirmou.
O presidente do SINAPROF garantiu que o sindicato irá posicionar-se sobre o caso e defender o regresso imediato dos professores às salas de aula. Alertou ainda que, caso algum docente seja impedido de exercer funções, a classe poderá voltar a paralisar as atividades.
Por: Carolina Djemé
















