O diretor-geral do Instituto Nacional de Pesquisa Agrária (INPA), Quintino Alves, afirmou que a instituição não dispõe, neste momento, de capacidade técnica nem financeira para realizar pesquisas ou recomendar variedades de sementes adaptadas às previsões meteorológicas para a presente campanha agrícola.
Em entrevista ao O Democrata, o responsável explicou que o INPA se encontra praticamente inativo devido à escassez de recursos e investimentos, situação que impede os técnicos de fornecer orientações científicas adequadas aos agricultores.
“O INPA está praticamente paralisado por falta de meios. Não tem condições para indicar as variedades de culturas mais adequadas às previsões de chuva divulgadas pelo Instituto Nacional de Meteorologia”, afirmou.
Segundo Quintino Alves, as previsões apontam para uma redução significativa da precipitação, podendo a Guiné-Bissau registar menos de 70% da chuva normalmente observada durante a época agrícola.
Apesar das limitações, o diretor garantiu que os técnicos continuam a trabalhar com base na experiência acumulada e no apoio de alguns projetos do setor agrícola. Ainda assim, lamentou a incapacidade da instituição em prestar assistência adequada aos produtores.
O responsável denunciou igualmente a degradação das infraestruturas de investigação agrária, revelando que os quatro centros de pesquisa do país funcionam sem condições mínimas, enfrentando falta de água, equipamentos, computadores e recursos humanos.
De acordo com Quintino Alves, o INPA conta atualmente com apenas 17 técnicos em funções, número significativamente inferior aos mais de 80 existentes no passado. Acrescentou que os cinco laboratórios de investigação se encontram inoperacionais.

“O setor agrário está a ser negligenciado. Os técnicos são mal remunerados, não têm incentivos nem meios de trabalho. Nessas condições, torna-se difícil prestar uma assistência eficaz aos agricultores”, lamentou.
O diretor alertou ainda para o envelhecimento dos quadros técnicos e a falta de jovens formados na área agrícola, advertindo que, no futuro, o país poderá depender de especialistas estrangeiros para desenvolver o setor.
Relativamente à campanha agrícola, recomendou aos agricultores a diversificação das culturas, incentivando o cultivo, não apenas de arroz, mas também de mandioca, milho, amendoim e outras espécies mais adaptadas às condições climáticas previstas.
Quintino Alves chamou também a atenção para o assoreamento generalizado das bolanhas, provocado pela desflorestação, erosão dos solos e deposição de resíduos, fatores que comprometem a fertilidade das terras.
Para inverter a situação, defendeu investimentos na mecanização agrícola, reabilitação das infraestruturas hidroagrícolas, produção nacional de sementes, organização dos produtores em cooperativas e reforço do financiamento público ao setor.
O responsável sublinhou que a agricultura continua a ser um dos principais pilares da economia nacional e apelou ao Governo para investir de forma consistente e sustentável no desenvolvimento do setor.
Por: Jacimira Segunda Sia


















