O diretor do Instituto Nacional do Ambiente, João Lona Tchadna, anunciou que, no atual contexto de crescente ambição da ação climática global, o Governo da Guiné-Bissau vai avançar com a elaboração da sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC 3.0), reforçando assim a ambição climática nacional.
Segundo o responsável, a NDC 3.0 está alinhada com os objetivos de desenvolvimento económico, social e ambiental do país.
João Lona Tchadna informou que o processo de elaboração da nova Contribuição Nacionalmente Determinada foi conduzido de forma participativa e inclusiva, com base em evidências climáticas. Foram mobilizadas instituições governamentais, especialistas nacionais e internacionais, parceiros de desenvolvimento, organizações da sociedade civil e outros atores relevantes, garantindo que as prioridades identificadas reflitam as aspirações e necessidades do país.
O diretor do Instituto Nacional do Ambiente fez estas declarações esta sexta-feira, 26 de junho de 2026, na abertura do workshop nacional de validação da NDC 3.0 da Guiné-Bissau.
O encontro reuniu representantes de instituições governamentais, parceiros de desenvolvimento, organizações da sociedade civil, setor privado, meio académico e outras partes interessadas, com o objetivo de analisar e validar as medidas e os compromissos nacionais para reforçar a resposta do país às alterações climáticas.
A NDC 3.0 é apontada como o principal compromisso climático do país no âmbito do Acordo de Paris e estabelece prioridades para a redução das emissões de gases com efeito de estufa, a adaptação aos impactos das alterações climáticas e a promoção de um desenvolvimento sustentável, resiliente e de baixo carbono.
O coordenador residente interino do Sistema das Nações Unidas, Inoussa Kaboré, afirmou que a irregularidade das chuvas, a erosão costeira e os impactos na agricultura afetam diretamente os meios de subsistência das comunidades. Segundo ele, as alterações climáticas deixaram de ser uma preocupação futura e tornaram-se uma realidade presente que exige respostas urgentes.
O responsável destacou ainda que o país dispõe de importantes recursos naturais e ecossistemas costeiros, que constituem um património de valor inestimável, sublinhando que “é neste contexto que as contribuições nacionalmente determinadas assumem um papel central”.
Inoussa Kaboré salientou que a NDC 3.0 representa também uma oportunidade para consolidar os avanços alcançados nos últimos anos e reforçar a integração da ação climática nas prioridades nacionais de desenvolvimento.
Em representação do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Carlos Dinis alertou que proteger o ambiente significa também proteger vidas, criar oportunidades económicas, reforçar a segurança alimentar, promover a saúde pública e garantir um futuro melhor para as próximas gerações.
De acordo com o responsável, os impactos climáticos já são sentidos diariamente nas comunidades da Guiné-Bissau, afetando vários setores, como a agricultura, as pescas, as zonas costeiras e a biodiversidade, além de contribuírem para o aumento da frequência de fenómenos climáticos extremos e agravarem os desafios económicos e do desenvolvimento humano.
“É precisamente neste contexto que a NDC 3.0 assume extrema importância estratégica. Ela traduz o compromisso da Guiné-Bissau no âmbito do Acordo de Paris e constitui um roteiro para acelerar a transição para um desenvolvimento mais resiliente, inclusivo e de baixas emissões, plenamente alinhado com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Isso recorda-nos que só através de parcerias sólidas conseguiremos enfrentar desafios desta dimensão”, reforçou.
O representante assegurou que o PNUD está determinado em continuar a apoiar o Governo guineense neste percurso e, enquanto parceiro estratégico de longa data, promete manter o apoio às instituições nacionais, tanto na definição como na implementação de políticas públicas.
Por: Jacimira Segunda Sia

















