Hospital Nacional: Coletivo de estagiários suspende serviços por tempo indeterminado

O coordenador do Coletivo de Estagiários do Hospital Nacional Simão Mendes, Amadu Mané, anunciou a suspensão dos serviços por tempo indeterminado. A medida visa obter uma resposta concreta sobre a colocação definitiva ou a contratação dos estagiários.

Amadu Mané fez estas declarações na manhã desta segunda-feira, 29 de junho de 2026, durante uma conferência de imprensa dedicada à situação dos estagiários da referida unidade hospitalar.

De acordo com o coordenador, há estagiários que têm suportado do próprio bolso os custos de transporte para trabalhar, além de não beneficiarem de alimentação. Segundo explicou, a direção do hospital justificou a situação alegando que o grau académico dos estagiários não se enquadra no quadro de sustentabilidade técnica, por não serem funcionários efetivos.

Os estagiários acumulam entre oito meses e sete anos de serviço sem colocação formal ou contrato. Há casos de profissionais com cinco, três e dois anos de trabalho, bem como outros com períodos entre oito e nove meses.

Mané afirmou ainda que o coletivo já se reuniu com o ministro da tutela, que prometeu a criação de mecanismos para resolver a situação.

“Foi-nos solicitado um recenseamento no hospital, com o objetivo de determinar a real necessidade de técnicos para assegurar o funcionamento dos serviços”, declarou.

Segundo o coordenador, após a realização do recenseamento em colaboração com a direção do hospital, os dados deveriam ser encaminhados ao ministério competente e, posteriormente, ao Conselho de Ministros. No entanto, até ao momento, não há confirmação de que o documento tenha sido submetido nem houve qualquer retorno oficial.

Mané sublinhou que os estagiários são responsáveis por assegurar grande parte das escalas mensais do hospital, alertando que a sua ausência poderá criar um vazio significativo e comprometer o atendimento aos pacientes.

Atualmente, o hospital conta com 399 estagiários em atividade, enquanto o recenseamento aponta para a necessidade de 575 técnicos.

“Estamos abertos ao diálogo e a qualquer proposta que nos incentive a regressar ao hospital. Sem garantias concretas, não voltaremos. Por isso, a suspensão mantém-se por tempo indeterminado”, concluiu.

Por: Natcha Mário M’bundé

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