Governo lança segunda via do cartão do eleitor e garante financiamento das eleições com recursos próprios

O primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, afirmou esta segunda-feira, 13 de julho de 2026, que, desde 1994, a Guiné-Bissau tem contado com o apoio de parceiros internacionais para a realização de eleições. No entanto, disse que o atual Governo decidiu assumir a organização dos escrutínios como um ato de soberania nacional, financiado pelo próprio país.

“As duas últimas eleições foram financiadas, cem por cento, pelo Tesouro Público guineense, através da contribuição dos impostos de todos os filhos da Guiné-Bissau. As eleições simultâneas de 6 de dezembro de 2026 não serão uma exceção”, assegurou.

O chefe do Executivo de transição falava durante a cerimónia de lançamento da emissão da segunda via do cartão do eleitor, realizada em frente à União Desportiva Internacional de Bissau (UDIB), na capital do país.

O evento foi organizado pelo Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE).

Em declarações aos jornalistas, Ilídio Vieira Té destacou que o dia 13 de julho constitui uma data “muito importante”, uma vez que marca o início da emissão da segunda via do cartão do eleitor, em cumprimento da legislação em vigor.

Neste contexto, apelou a todos os cidadãos guineenses, especialmente àqueles que perderam os respetivos cartões de eleitor, para aderirem massivamente à operação, de modo a obterem os documentos que lhes permitirão participar nas eleições simultâneas marcadas para 6 de dezembro deste ano.

Ilídio Vieira Té salientou que a responsabilidade de organizar as eleições compete ao Governo após a marcação oficial do escrutínio, através de decreto presidencial. Segundo afirmou, o Executivo está a cumprir uma das suas obrigações soberanas ao preparar as condições necessárias para a realização das eleições na Guiné-Bissau.

“A Guiné-Bissau deve saber andar com os seus próprios pés, pensar com a sua cabeça e delinear a sua própria estratégia de desenvolvimento. Não existe nenhum Estado que viva isoladamente; todos precisam uns dos outros. Contudo, devemos viver na base do respeito e da dignidade. Por mais pobres que sejamos, isso não significa que alguém nos deva impor uma agenda. Devemos criar a nossa própria agenda, baseada num entendimento consensual”, sublinhou.

O primeiro-ministro acrescentou que, após o lançamento da operação, os agentes do GTAPE estarão mobilizados em todo o território nacional para emitir novos cartões aos cidadãos que tenham perdido os seus documentos eleitorais.

Segundo avançou, o processo será acompanhado pela Comissão Nacional de Eleições (CNE), “como determina a lei”, e, concluídos os trabalhos, a instituição assumirá as suas competências na organização do escrutínio na data fixada pelo Presidente da República.

“A Guiné-Bissau pertence a todos os cidadãos. Deve haver união entre todos para alcançarmos o desenvolvimento que almejamos. Não precisamos criar mais conflitos, porque o país já viveu situações suficientes para compreender que esse caminho não nos levará a lado nenhum. Quando ouço algumas pessoas defenderem uma guerra civil, concluo que não viveram o conflito político-militar de 7 de Junho de 1998 nem a luta de libertação nacional. Nenhum desses conflitos trouxe benefícios ao país; trouxeram apenas desorganização. Quem quer guerra pode ir para o Irão ou para a Ucrânia. A Guiné-Bissau não precisa de guerra, mas sim de paz e desenvolvimento”, advertiu.

Por: Aguinaldo Ampa

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