O presidente do Sindicato de Base do Hospital Nacional Simão Mendes (HNSM), Ibraima Sambú, afirmou esta quinta-feira que o maior hospital público da Guiné-Bissau não dispõe de condições adequadas para o funcionamento dos serviços de saúde. O responsável anunciou ainda uma greve de cinco dias caso o Governo não responda às reivindicações apresentadas pela classe.
Em conferência de imprensa, Sambú revelou que o sindicato entregou, no passado dia 12 de julho de 2026, um caderno reivindicativo acompanhado de um pré-aviso de greve. Segundo explicou, a paralisação está prevista para decorrer entre 22 e 28 de julho. Caso não haja abertura para negociações, os trabalhadores avançarão para uma segunda fase de greve, com duração de dez dias.
De acordo com o dirigente sindical, antes da entrega do pré-aviso, foram enviadas cartas e pedidos de audiência ao Ministério da Saúde Pública e ao primeiro-ministro, sem que tenha havido qualquer resposta.

“Entendemos que não querem ter contacto connosco para discutir os problemas do hospital. Por isso, recorremos à imprensa para denunciar a situação”, afirmou.
O caderno reivindicativo apresenta três principais exigências: a melhoria das condições de trabalho, o pagamento dos salários dos trabalhadores contratados, que, segundo o sindicato, acumulam 33 meses de atraso, e esclarecimentos sobre a privatização e gestão de alguns serviços do hospital.
Sambú alertou igualmente para a insuficiência de profissionais para responder aos casos de Mpox e defendeu o reforço dos recursos humanos. Segundo explicou, um médico chega a atender mais de 30 pacientes por dia, situação que compromete a qualidade dos cuidados prestados.
O sindicalista denunciou ainda a escassez de materiais básicos, como luvas, oxímetros, termómetros e aparelhos de medição da pressão arterial, essenciais para o funcionamento diário dos serviços.
Apesar de reconhecer que o laboratório do hospital está a ser equipado, afirmou que o serviço de diagnóstico por imagem continua sem entrar em funcionamento, embora já exista um equipamento que poderá facilitar o diagnóstico de acidentes vasculares cerebrais (AVC).
Durante a conferência de imprensa, Sambú considerou que o setor da saúde deixou de ser uma prioridade para os sucessivos governos.
“Se a saúde fosse uma prioridade, haveria materiais de qualidade, formação contínua dos técnicos e investimentos nas infraestruturas hospitalares”, declarou.
O presidente do sindicato criticou também a gestão de alguns serviços do Hospital Nacional Simão Mendes. Segundo disse, parte da farmácia foi privatizada, reduzindo receitas que poderiam beneficiar diretamente a instituição.
Sambú afirmou ainda que a empresa responsável pelos serviços de limpeza, contratada em abril, responde ao Ministério das Finanças e não à direção do hospital nem ao Ministério da Saúde Pública.
Outra preocupação apontada prende-se com o atraso no pagamento do subsídio das horas extraordinárias. De acordo com o sindicalista, os trabalhadores não recebem esse subsídio há seis meses.
“Contactámos a direção do hospital e disseram-nos que já enviaram toda a documentação ao Ministério das Finanças e que o assunto já não depende deles”, afirmou.
Apesar do anúncio da greve, o presidente do sindicato garantiu que serão assegurados os serviços mínimos nas enfermarias e nas urgências. Contudo, advertiu que alguns serviços poderão ser afetados, nomeadamente o fornecimento de oxigénio e o serviço de ambulâncias.
Sambú criticou ainda os custos suportados pelo Estado com os serviços externalizados do hospital, afirmando que o Governo paga cerca de 38 milhões de francos CFA pelos serviços de cozinha e 32 milhões de francos CFA à empresa responsável pela limpeza, jardinagem e lavandaria.
“Parece que o hospital se transformou num campo de enriquecimento”, concluiu.
Por: Natcha Mário M’Bundé


















