O apresentador e animador cultural Cícero Spencer Gomes celebrou, em Lisboa, os seus 30 anos de carreira com um espetáculo que reuniu diferentes gerações de artistas, amigos e admiradores. O evento serviu de homenagem ao seu contributo para a promoção e valorização da cultura guineense, tanto na Guiné-Bissau como na diáspora.
Considerado uma das maiores referências da comunicação social guineense, Cícero destacou-se ao longo das últimas três décadas pelo seu talento, profissionalismo e carisma, qualidades que lhe garantiram reconhecimento em importantes eventos culturais e sociais.
A sua projeção nacional e internacional foi consolidada através do trabalho desenvolvido em órgãos de comunicação de grande audiência, com destaque para a Rádio Pindjiguiti e a Televisão da Guiné-Bissau (TGB), onde apresentou vários programas que marcaram gerações de ouvintes e telespectadores.
“Felizmente, ofereci ao meu país uma geração de artistas”, afirmou Cícero Spencer Gomes ao semanário O Democrata.
Biografia
Cícero Spencer dos Santos Gomes iniciou o seu percurso artístico no Centro Paroquial da Catedral, onde deu os primeiros passos no teatro, na animação comunitária e nas atividades culturais de rua. Foi também dançarino do grupo Dance Biss e membro do grupo teatral Teatro Lanta.
Em julho de 1996 ingressou na Rádio Pindjiguiti, integrando o programa Rap pá Raperus, numa dupla de apresentação com Helena Maria de Sá Vaz.
No ano de 1997 beneficiou de uma formação promovida pelo CENJOR. Um ano depois, durante o conflito político-militar na Guiné-Bissau, deslocou-se para Dakar, no Senegal, onde participou em diversas ações de formação, colaborou com algumas estações emissoras e dinamizou atividades de animação no campo de refugiados guineenses.
As experiências adquiridas no Senegal contribuíram para ampliar os seus horizontes no domínio cultural. Foi mentor do Primeiro Festival de Rap, organizado pelo grupo cultural Vatos Locos e pela Geração Nova da Tiniguena. Apresentou ainda os programas Inter Jovens, da GNT, e posteriormente A Hora é Nossa.
Como dançarino do cantor Miguelinho Nsimba, conquistou o segundo lugar no Festival Nacional de Arte e Cultura. Em 1999, juntamente com outros jovens, criou o projeto Coletivo Férias ao Vivo, uma iniciativa destinada a promover atividades recreativas e culturais durante o período de férias.
Ao longo da sua carreira recebeu várias homenagens e distinções atribuídas por diferentes organizações, entre as quais o jornal Donos da Bola, o portal Nô Sta Djunto e a associação AHJUSVIP.
Cícero tornou-se também o primeiro apresentador da televisão guineense a realizar programas fora do país. A experiência começou no Senegal, passou pela Gâmbia e estendeu-se à diáspora guineense em Portugal e Espanha.
Por: Epifânia Mendonça


















