Simões Pereira espera que Guiné-Bissau não siga o exemplo dos países do Sahel

Perante o anúncio do adiamento das eleições gerais na Guiné-Bissau, o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira, manifestou esta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, o desejo de que o país não siga o exemplo do Mali, Burkina Faso e Níger, onde os militares permaneceram no poder após golpes de Estado, defendendo o rápido regresso à normalidade constitucional.

“Espero que não. Por isso continuo a reiterar que, se as entidades que controlam o país querem um voto de confiança e uma oportunidade, devem alinhar-se com os princípios da reposição da normalidade constitucional”, declarou à agência Lusa, quando questionado sobre a possibilidade de a Guiné-Bissau seguir o percurso de alguns países do Sahel que viveram golpes de Estado e prolongaram os períodos de transição.

As declarações surgem no dia em que o Governo de Transição anunciou não existirem condições para a realização das eleições gerais inicialmente marcadas para 6 de dezembro de 2026.

Domingos Simões Pereira, que foi detido na sequência do golpe militar ocorrido há quase um ano e libertado em julho para receber tratamento médico em Portugal, participou numa conferência sobre “Juventude e Participação Cívico-Política” na Universidade Politécnica de Bragança (UPB), a convite do Núcleo de Estudantes Guineenses.

À margem do evento, o líder do PAIGC afirmou que, até aquele momento, ainda não tinha sido oficialmente informado da decisão de adiamento das eleições, acrescentando que irá pronunciar-se após consultar as estruturas do partido.

Ainda assim, considerou que a realização do escrutínio na data prevista já era praticamente impossível.

“Era apenas uma questão de confirmação política daquilo que tecnicamente já estava ultrapassado”, afirmou, referindo que o prazo para a apresentação de candidaturas terminou na passada terça-feira, 6 de outubro.

O dirigente político manifestou preocupação com a possibilidade de a Guiné-Bissau enveredar pelo mesmo caminho dos países da Aliança dos Estados do Sahel, nomeadamente o Mali, o Burkina Faso e o Níger, onde os militares prolongaram a permanência no poder após golpes de Estado.

Sobre o seu eventual regresso a Bissau, Domingos Simões Pereira disse continuar sem saber quando regressará ao país, apesar de se aproximar o fim do período de três meses autorizado para permanecer em Portugal após a sua libertação.

O líder oposicionista reiterou igualmente que nunca lhe foram comunicadas quaisquer condições associadas à sua libertação.

Relativamente à recente decisão do Tribunal da CEDEAO que determinou uma indemnização de 30 milhões de francos CFA (cerca de 46 mil euros) para cada um dos cinco responsáveis políticos detidos após o golpe militar, entre os quais o próprio Domingos Simões Pereira, o dirigente considera que a sentença confirma as denúncias feitas pela oposição.

“Esta decisão do tribunal da CEDEAO confirma a leitura que sempre fizemos. A prisão foi não apenas ilegal, mas também arbitrária”, declarou.

Apesar do atual contexto político, marcado pela instabilidade e pela incerteza em torno do processo eleitoral, Simões Pereira deixou uma mensagem de esperança aos jovens guineenses.

O encontro foi promovido pelo Núcleo de Estudantes Guineenses da Universidade Politécnica de Bragança, organização que representa cerca de 200 estudantes da Guiné-Bissau inscritos nas diferentes escolas daquela instituição de ensino superior.

Por:

O Democrata/ Lusa

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