Senegal apela ao diálogo e consenso caso haja adiamento das eleições na Guiné-Bissau

O Governo do Senegal, através do Ministério da Integração Africana, dos Negócios Estrangeiros e dos Senegaleses no Estrangeiro, apelou às autoridades de transição da Guiné-Bissau para privilegiarem o diálogo político e levantarem as restrições às atividades partidárias e cívicas.

Segundo o diário estatal senegalês Le Soleil, consultado pela redação do Jornal O Democrata, o Governo senegalês manifestou esta quinta-feira, 8 de outubro de 2026, profunda preocupação com os recentes desenvolvimentos políticos na Guiné-Bissau, particularmente perante a possibilidade de adiamento das eleições gerais inicialmente marcadas para 6 de dezembro de 2026.

No mesmo dia, o Presidente de Transição reuniu-se com representantes do Governo e da Comissão Nacional de Eleições (CNE) para avaliar o estado de preparação das eleições legislativas e presidenciais agendadas para aquela data.

À saída da audiência, o primeiro-ministro de transição, Ilídio Vieira Té, admitiu aos jornalistas que ainda não estão reunidas as condições necessárias para a realização das eleições gerais em 6 de dezembro.

Por sua vez, a Comissão Nacional de Eleições, representada pela sua porta-voz, Felizberta Maura Vaz, afirmou, após o encontro com o Chefe de Estado, que a realização do escrutínio na data prevista é tecnicamente inviável devido ao incumprimento do calendário eleitoral. Segundo explicou, a implementação das operações preparatórias deveria ter começado pelo menos 90 dias antes da votação.

Num comunicado divulgado na tarde desta quinta-feira e citado pelo Le Soleil, o Ministério dos Negócios Estrangeiros do Senegal apelou à moderação face às incertezas que envolvem a organização das eleições.

Tendo em conta as declarações das autoridades guineenses sobre “restrições legais, técnicas e institucionais” suscetíveis de provocar um atraso do calendário eleitoral, Dakar reiterou a necessidade de preservar o consenso político.

Para as autoridades senegalesas, qualquer revisão do calendário eleitoral deve resultar de um acordo político entre todas as partes interessadas.

O Ministério sublinha que “qualquer modificação do calendário eleitoral deve integrar um processo consensual, inclusivo e transparente, acompanhado de garantias claras quanto à conclusão da transição no mais breve prazo possível”.

Com o objetivo de reforçar a credibilidade do processo eleitoral, o Senegal defende o levantamento das restrições às atividades políticas e cívicas, o início imediato de um diálogo construtivo entre as autoridades de transição, os partidos políticos e a sociedade civil, bem como a continuação das consultas com todos os intervenientes, incluindo os líderes militares, para preservar a paz social e evitar qualquer escalada de tensão.

Recordando o seu papel na região, Dakar destacou a sua condição de país que exerce a presidência rotativa da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e de mediador no processo político guineense.

O Governo senegalês reafirmou ainda o compromisso de trabalhar em estreita coordenação com os Estados-membros da CEDEAO e os parceiros internacionais, respeitando a soberania nacional e as aspirações democráticas do povo guineense.

O comunicado conclui reiterando a “solidariedade fraterna” do Senegal e a sua determinação em apoiar a procura de uma solução que assegure estabilidade institucional duradoura na Guiné-Bissau.

Por: Redação
O Democrata/Le Soleil

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