A presidente do Movimento Democrático Social (MSD), Joana Cobde Nhanca, defendeu a inclusão de todos os partidos políticos democráticos legalmente constituídos no processo de mediação destinado a superar a crise política na Guiné-Bissau.
Joana Cobde Nhanca fez estas declarações esta terça-feira, 27 de outubro de 2026, numa entrevista ao jornal Democrata.
A posição do MSD surge no contexto da missão da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), liderada pelo ministro da Integração Africana e dos Negócios Estrangeiros do Senegal, que se encontra no país para reforçar os esforços de mediação junto dos atores políticos nacionais.
Durante a entrevista, a líder do MSD criticou a atuação da missão, alegando que esta se limitou a dialogar com partidos políticos que considera apoiantes do atual regime.
Joana Cobde Nhanca acusou ainda o Presidente do Senegal, Bassirou Diomaye Faye, de estar mais interessado em abordar questões relacionadas com a segurança do Presidente Umaro Sissoco Embaló do que em ouvir todas as sensibilidades políticas do país.
“Essa missão quer apenas dialogar com o Comando Militar para restringir o exercício democrático dos partidos políticos legalmente constituídos”, afirmou.
A dirigente recomendou, por isso, a integração de todas as forças políticas no processo, com especial atenção aos partidos que representam as mulheres. Criticou igualmente a delegação por, alegadamente, não procurar conhecer a realidade partidária nacional e o número de partidos existentes no país.
Segundo Joana Cobde Nhanca, não faz sentido que o MSD participe num processo de reconciliação que integra pessoas que, no seu entender, continuam ligadas ao atual regime.
Questionada por O Democrata sobre a proposta do primeiro-ministro relativa a um pacto nacional de reconciliação assente num calendário eleitoral consensual, a líder do MSD sustentou que a realização de eleições, por si só, não resolverá os problemas do país enquanto a justiça não funcionar plenamente.
“É preciso que alguém responda perante a justiça para esclarecer os seus erros”, defendeu.
A responsável questionou ainda a eficácia das sucessivas transições políticas e processos eleitorais realizados no país.
“Quantos golpes de Estado houve na Guiné-Bissau? Quantas transições e quantas eleições já passaram pelo país?”, interrogou.
Na sua perspetiva, a resolução da crise passa pelo regresso dos militares às suas funções constitucionais.
“Os militares devem regressar aos quartéis. O poder político deve ser exercido pelos civis e pelos partidos políticos”, declarou.
Por outro lado, Joana Cobde Nhanca rejeitou a proposta de formação de um governo inclusivo defendida por alguns partidos políticos, considerando que a legitimidade governativa deve resultar exclusivamente de eleições.
Para a líder do MSD, um verdadeiro processo de reconciliação exige diálogo entre todas as partes envolvidas, ainda que isso possa prolongar o tempo necessário para alcançar consensos.
A dirigente concluiu, afirmando que nunca integrará um governo inclusivo que não resulte da vontade popular expressa através das urnas.
Por: Carolina Djeme / Natcha Mario M’Bunde

















