Meteorologia nega aumento significativo da temperatura e aponta humidade como principal causa do desconforto

O diretor do Serviço de Climatologia e Agrometeorologia da Meteorologia Nacional, Orlando Mendes, afirmou que não se registou um aumento drástico das temperaturas na Guiné-Bissau, indicando que a diferença observada em relação à média normal para o mês de outubro é de apenas 0,6 graus Celsius.

Em entrevista exclusiva ao jornal O Democrata, Orlando Mendes explicou que, até 26 de outubro, a temperatura média registada era de 28,6 graus Celsius, enquanto a média climatológica para este período é de 28 graus.

Segundo o especialista, estes valores não justificam, por si só, a sensação de calor intenso sentida pela população. O principal fator responsável pelo desconforto térmico é a elevada humidade relativa do ar.

“A humidade está muito elevada e, quando isso acontece, a sensação de calor torna-se superior ao valor real da temperatura. Em termos de temperatura, quase não houve alteração. A diferença entre 28 e 28,6 graus é reduzida, mas a elevada humidade aumenta significativamente a sensação térmica”, explicou.

Orlando Mendes esclareceu que, quando o ar apresenta elevados níveis de vapor de água, o organismo tem mais dificuldade em eliminar o calor através da transpiração, provocando uma maior sensação de abafamento.

De acordo com o climatologista, este fenómeno é habitual nesta época do ano e está relacionado com as características climatológicas do mês de outubro, período que tradicionalmente apresenta temperaturas ligeiramente mais elevadas do que setembro.

O responsável recordou ainda que a desflorestação contribui para o aumento dos gases com efeito de estufa e para as alterações climáticas, fatores que influenciam o aumento gradual das temperaturas a nível global.

Apesar disso, sublinhou que os valores atualmente registados no país mantêm-se dentro da normalidade para a época, embora possam já refletir, em pequena escala, os impactos das alterações climáticas.

Questionado sobre a previsão para os próximos meses, Orlando Mendes explicou que o Serviço Nacional de Meteorologia trabalha com previsões diárias e apelou à população para acompanhar regularmente os boletins meteorológicos divulgados pelos órgãos de comunicação social.

Perante as temperaturas elevadas e a forte humidade, recomendou o consumo frequente de água, o uso de roupas leves e claras e a redução dos períodos de exposição direta ao sol, sobretudo no caso das crianças e pessoas mais vulneráveis.

O especialista lamentou ainda a insuficiente capacitação de técnicos para operar equipamentos meteorológicos de última geração, embora tenha assegurado que os dados e imagens de satélite continuem a ser atualizados regularmente.

Médico alerta para riscos de desidratação e insolação

Por sua vez, o médico especialista em perícias forenses, Hedwis Martins, alertou para o aumento de casos associados ao calor extremo, como desmaios, cãibras, problemas dermatológicos e desidratação.

Segundo o profissional de saúde, têm sido observados mais episódios relacionados com a perda excessiva de líquidos do organismo quando comparados com anos anteriores.

“Temperaturas como esta eram mais comuns nos finais de janeiro, fevereiro e início de março. Embora a Meteorologia seja a entidade mais indicada para abordar os dados climáticos, todos sentimos que a intensidade do calor é atualmente muito elevada”, afirmou.

Hedwis Martins explicou ao repórter do jornal O Democrata que a transpiração excessiva aumenta o risco de desidratação e destacou que a hidratação do organismo não depende apenas da ingestão de líquidos.

O médico recomendou igualmente cuidados com a pele, defendendo banhos regulares para ajudar o corpo a dissipar o calor e melhorar a sensação de frescura.

Para minimizar os impactos das altas temperaturas, aconselhou a população a reforçar o consumo de água, transportar garrafas ou cantis durante o dia e utilizar chapéus, guarda-sóis e outras formas de proteção solar, especialmente para quem trabalha ao ar livre.

Martins recomendou ainda o uso de roupas largas e de cores claras, por absorverem menos radiação solar.

Segundo o médico, estas medidas simples podem reduzir significativamente os efeitos negativos das elevadas temperaturas e ajudar a prevenir complicações de saúde associadas ao calor.

Por: Jacimira Segunda Sia

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