Primeiro-ministro: “GOVERNO NÃO TEM INSTRUMENTOS PARA RESOLVER PROBLEMA DA CENTRAL SINDICAL”

O Primeiro-ministro guineense, Aristides Gomes, advertiu esta terça-feira, 05 de junho, que o governo que lidera não tem instrumentos para resolver o problema da central sindical neste momento, porque a missão específica do executivo é organizar as eleições legislativas marcadas para 18 de novembro do ano em curso.

Aristides Gomes falava à imprensa à saída de uma reunião negocial com elementos da União Nacional de Trabalhadores da Guiné-Central Sindical (UNTG), realizada numa das salas de reuniões do ministério da Economia e Finanças.

Na sua declaração aos jornalistas, o chefe do executivo advertiu os sindicalistas que decretar greve na função pública neste momento não faria sentido, porque o governo está focalizado na realização do escrutínio. Contudo, mostrou disponibilidade do executivo em continuar a discutir com todos os parceiros sociais para lançar as bases que possam permitir uma melhor governabilidade depois das eleições.

“Nós reconhecemos que a estrutura de salários não está ser aplicada como deve ser. Há uma injustiça salarial em determinadas categorias dos funcionários públicos, de maneira que é preciso um reajuste. A solução desta situação passa necessariamente por um aumento da massa salarial e a restruturação da grelha dos servidores de Estado, fazendo assim, uma reforma global da função pública, o que não faz parte da nossa missão”, observou o primeiro-ministro.

Aristides Gomes disse que o governo não tem tempo para entrar no processo da reforma da função pública, apesar de reconhecer que “é um processo justo e imprescindível para a construção de um verdadeiro instrumento estatal, virado para o desenvolvimento económico e social do país”.

“O que se pode fazer é preparar as condições obvias. Portanto, convidamos o sindicato para integrar ao processo da criação de um pacto de estabilidade e consensual que teria as matrizes das reformas a serem executadas pelo partido vencedor das eleições que se avizinham”, espelhou.

Para o porta-voz da Comissão da greve da União Nacional de Trabalhadores da Guiné – Central Sindical (UNTG), os instrumentos que a Central Sindical está exigir do governo o seu cumprimento não consta nenhum ponto que implique aumento de nenhuma verba financeira, por isso continuará a exigir o reajuste salarial.

José Alves informou que em várias ocasiões ouviu o atual primeiro-ministro dizer que o governo tem como principal missão a realização das eleições. Todavia, na ótica do sindicalista guineense, ter missão específica não significa ignorar outras missões que possam ser prioritárias e urgentes.

Assegurou que a Central Sindical se sente honrada com as medidas que estão  a ser tomadas pelo atual governo no sentido de arrecadação de receitas.

Lembrou neste particular que a última medida adotada relativamente às empresas públicas é baseada no artigo 15º do decreto 1/2017. Neste sentido, esclareceu que no mesmo decreto consta a questão do reajuste salarial que a UNTG está a exigir do patronato.

“Entregamos um pré-aviso de greve ao patronato e se não atender as exigências,  a paralisação na função pública terá  lugar de  12 a 14 do mês em curso. Mas quero testemunhar-vos que esta é apenas uma comissão negocial que, depois de encontro com governo, vai informar aos órgãos da central sindical, que posteriormente poderão tornar pública a posição da União Nacional dos Trabalhadores da Guiné (UNTG), se vai ou não à greve. Por isso não podemos pronunciar nada agora sobre este assunto”, espelhou José Alves.

 

 

 

Por: Aguinaldo Ampa

Foto: AA         

2 thoughts on “Primeiro-ministro: “GOVERNO NÃO TEM INSTRUMENTOS PARA RESOLVER PROBLEMA DA CENTRAL SINDICAL”

  1. “… o que não faz parte da nossa missão”.
    Era só o que faltava. Tudo bem que não foi a missão que o presidente vos incumbiu mas se tivesse um pouco de … não teria expressado dessa forma.

    A cada dia que passa surgem novos acéfalos.

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