Editorial: MORREU O DEUS DA DEMOCRACIA NA GUINÉ‑BISSAU

Na Guiné-Bissau, vivemos hoje entre epifenómenos de consciência e epifenómenos de não consciência de uma democracia militar. É uma prova inequívoca de que, realmente, o “deus” da democracia morreu, evidenciado pelos atos de não consciência política do Comando Militar, que silenciou as conferências de imprensa em todo o território nacional.

O Alto Comando Militar esqueceu que é nas conferências de imprensa que determinados fenómenos da sua política de governação podem — e devem — ser explicados à luz de uma visão democrática, alinhada com a gestão política e a governação estratégica do país.

Os dirigentes do Alto Comando Militar, que hoje governam o país com base nas estratégias políticas do antigo Presidente da República, General Umaro Sissoco Embaló, parecem esquecer que é na conferência de imprensa que os cidadãos podem expressar democraticamente aquilo que trazem na alma sobre o país.

O Alto Comando Militar esquece que a imprensa e os jornalistas têm a obrigação de dar a conhecer ao cidadão o país e o mundo que eles agora governam.

O atual executivo do Alto Comando Militar, que governa a Guiné-Bissau, não precisa de impor epifenómenos de não consciência política ou de não democracia na sua governação. Poderia até refundar ou implementar um novo sistema mediático, eventualmente inspirado pelo então Presidente General Umaro Sissoco Embaló. Mas deve existir, sempre, liberdade para que os cidadãos se expressem livremente em conferências de imprensa em todo o território nacional.

Mesmo que os atuais membros do governo do Alto Comando Militar discordem do que os cidadãos dizem em conferências de imprensa, devem permitir que se expressem e defendam as suas ideias democráticas para a Guiné-Bissau.

Os dirigentes do governo do Alto Comando Militar não podem — nem devem — permitir que o medo dos jornalistas em realizar conferências de imprensa se torne parte integrante da prática diária da governação política democrática do país.

As conferências de imprensa não devem estar sujeitas a autorização ou aprovação dos altos dirigentes do governo do Alto Comando Militar. Como exercício legítimo da liberdade de expressão, não podem ser submetidas a qualquer forma de censura ou condicionamento governamental.

Os atuais dirigentes do Alto Comando Militar devem trabalhar para o interesse público e para o bem-estar coletivo. A democracia exige uma imprensa livre. Sem conferências de imprensa livres, a prática democrática no nosso país perde o seu sentido crítico e a liberdade de expressão dos cidadãos é asfixiada. A governação do Alto Comando Militar transformar‑se‑á, assim, num mero instrumento reativo de um poder político autoritário estabelecido na esfera pública de uma democracia musculada.

Se desejarem, os dirigentes do governo do Alto Comando Militar podem refundar um novo sistema de media para se relacionarem de forma livre, séria e transparente com a imprensa e com os jornalistas. Isso permitirá que estes sejam verdadeiramente livres, com capacidade de questionar, investigar e produzir notícias de forma transparente para o consumo público na esfera nacional.

Por: Dr. António Nhaga

Diretor-Geral

angloria.nhaga@gmail.com

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