Na semana passada, testemunhou-se, como é de praxe, a apresentação de um relatório do Banco Mundial e do FMI (últimos 7 anos).
Sem grandes surpresas, os dados macroeconómicos cujos reflexos do PIB na vida das pessoas não são nada animadores.
Significa que o Estado guineense, através da economia, não consegue resolver problemas sociais das nossas populações, por exemplo: 60% das despesas familiares com saúde são suportadas pelas próprias famílias;
Os gastos com salário correspondem cerca de 93% da massa salarial face às receitas fiscais, contrariando os 35% exigidos, conforme a taxa de convergência; 900 mulheres morrem em casa 100.000 partos; cerca de 40% de crianças de até 7 anos nunca frequentaram escola.
Enfim, nosso Estado falhou em quase todos os indicadores!
Porém, face à todos esses números, seja propositadamente ou inocentemente, um aluno e empreendedor perguntou-me: “como posso aceder ao crédito e o quê que o professor me aconselha”?
Ora bem, preciso antes de mais explicar-lhe o básico, ou seja, a palavra crédito pode ter diferentes interpretações, por exemplo quando se afirma que uma pessoa é digna de crédito significa que confiamos nessa pessoa.
Mas, no que tange ao setor financeiro, proriamente dito, falamos do crédito bancário que é, basicamente, uma relação contratual entre as duas partes:
Banco (uma instituição financeira) e o Cliente.
O processo de pedido e concessão crédito é, acima de tudo, um ato de pedir dinheiro emprestado, antecipando o consumo do futuro para o presente, (ao passo que a poupança é adiar o consumo do presente para o futuro).
Para podermos antecipar o consumo é necessário compensar o banco com alguma coisa que pelo empréstimo, em forma de Juro.
A compensação é devida porque: em vez de emprestar, o banco pode investir o dinheiro e obter uma remuneração.
Há, por conseguinte, o risco do cliente não devolver o dinheiro, pelo que o banco deve proteger-se.
Quanto maior for o risco maior será a taxa de juro do empréstimo, obviamente!
O crédito mau?
Analisado desta forma, o crédito nem é bom nem é mau, mas ele é um instrumento ao dispor das pessoas e das empresas para satisfazerem determinadas necessidades.
Assim, advém que o que torna o crédito bom ou mau é a utilização que a pessoa ou a empresa faz dele:
Crédito Bom – um empréstimo que permite reduzir um conjunto de encargos ou satisfazer uma necessidade básica, adaptando o valor da prestação ao orçamento familiar;
Crédito Mau – um empréstimo para a satisfação de uma necessidade menos básica (ou mesmo para compra de algo superficial) e cuja prestação não está adequada ao orçamento familiar (taxa de esforço elevada) pela regra é 30%.
Quais as vantagens de pedir crédito?
Quem pede dinheiro emprestado está a procurar satisfazer uma necessidade, seja ela essencial ou seja ela superficial.
Assim, podemos destacar um conjunto de vantagens do crédito:
- Antecipar a satisfação de uma necessidade;
- Realização de investimentos criadores de valor;
- Satisfação de emergências (como despesas de saúde, por exemplo).
O crédito tem desvantagens que podem ser perigosas?
Sim. Não obstante as vantagens enunciadas, o recurso ao crédito tem, também, alguns riscos e/ou inconvenientes:
- Obrigatoriedade do pagamento de juros;
- Regras muito restritivas com penalizações graves por incumprimento;
- Potenciação de riscos e de descontrolo financeiro.
- A reorganização ajuda os seus clientes a poupar dinheiro com os créditos. Seja a fazer um crédito consolidado (reduzir as prestações através da redução da taxa de juro) ou a reduzir as taxas de juro de um novo crédito.
Neste processo, alertamos que o recurso ao crédito deve ser muito ponderado e calculado para evitar estar a entrar em situações de fragilidade/perigo financeiro.
Nunca faça um crédito se desconfiando que não o conseguirá pagar.
Já teve uma má experiência com o crédito?
Teve dificuldades em pagar as suas prestações?
Feita essa pequena explicação, penso que a Guiné-Bissau, enquanto nação, precisa de crédito – CONFIANÇA – para fazer face aos inúmeros problemas sociais com que se depara, e com impactos na sua economia e vice-versa.
Apenas uma opinião!
Por: Santos Fernandes
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Fonte:
“Reorganizar: João Morais Barbosa (Especialista em mercado financeiro ISCTE), 2017.





















