Cidade de Bissau: AUTORIDADES AMBIENTAIS PREOCUPADOS COM CONSTRUÇÕES DE INFRAESTRUTURAS NAS ZONAS HÚMIDAS

O Inspetor Geral do Ambiente, Guilherme da Costa, mostrou-se esta segunda-feira, 08 de abril de 2019, preocupado por causa das construções de infraestruturas e obras nas zonas húmidas da cidade de Bissau, isto é, zonas de recarga aquífera da água das chuvas que alimenta o lençol freático, uma vez que qualquer construção pode comprometer a alimentação do lençol freático da capital guineense.

Guilherme da Costa falava à imprensa depois de ter visitado as zonas consideradas húmidas, concretamente  as zonas de Bolola e bolanhas de volta de Antula, para tomar nota dos espaços reservados para construções no futuro e outras com as obras já em curso. Guilherme da Costa disse que as construções em curso preocupam a sua instituição.

Aquele responsável informou que aquela era a segunda vez que a inspeção do ambiente realizava uma visita do gênero e que na primeira não constataram a terraplenagem dos espaços onde decorrem neste momento as obras, a não conservação de lixo produzido e a destruição dos mangais (tarrafes), o que pode comprometer a reprodução dos peixes.

“Qualquer construção de infraestruturas nesta zona deve obedecer a um estudo prévio de impacto ambiental para se saber se é viável ou não. Neste caso, os proprietários decidiram violar a lei de impacto ambiental e a lei base do ambiente. É inaceitável e essas construções não podem continuar. A Guiné-Bissau é um dos países africanos com maior densidade de mangais, uma riqueza em termos de biodiversidade. Ou seja, destruir tarrafes afeta a economia do país e facilita as catástrofes e a inundação”, advertiu.

O Diretor dos Serviços Jurídicos e Participação Pública da Autoridade de Impacto Ambiental, Moises Sanca, informou que a instituição que representa tem competências de coordenar, estudar e pesquisar todo tipo de atividades nomeadamente: projetos planos e programas tanto privados como estatais que devem ser submetidos ao estudo de impacto ambiental. Mas na visita realizada viu coisas chocantes ou seja construções que violam a lei, desafiando estado da Guiné-Bissau.

Por seu lado, o Diretor Técnico da Câmara Municipal de Bissau, Arquiteto Djunco Suleimane Turé, disse o que está a acontecer nas zonas húmidas é triste, mas tudo isso tem a ver com as sucessivas crises políticas e governativas e constantes mudanças na Guiné-Bissau. Adiantou que de há algum tempo, a Câmara Municipal de Bissau recebe apenas fotografias aéreas do ministério das obras públicas, riscadas e manchadas para implementar na cidade de Bissau, tendo em conta a falta da atualização dos instrumentos para uma boa gestão urbanística.

Segundo informações a que O Democrata teve acesso, no plano diretor da Câmara Municipal de Bissau a zona de Bolola, onde está a ser feita a terraplanagem, não faz parte da zona reservada, mas sim da extensão portuária. Assim, os mangais daquela zona não têm vida. A fonte adianta ainda que o espaço onde está a ser feita a terraplanagem neste momento pertencia a empresa Mavegro desde 1992, mas em 2014 esta transferiu os direitos a favor da empresa JOMAV.

Por: Aguinaldo Ampa

Foto: A.A             

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