Opinião: INDEPENDÊNCIA, PERCORRER O SEU CAMINHO COM A CABEÇA ERGUIDA

Em poucos dias celebrar-se-á o Dia Nacional da República Popular da China, e toda a China está em festa para assinalar essa data importante e os notáveis êxitos alcançados ao longo dos 70 anos desde a fundação da Nova China. O sucesso da China não só contribui para o País e o Povo, mas também constitui um importante significado para o mundo.

Desde o fim da guerra fria, alguns analistas internacionais têm apontado três desafios para o desenvolvimento da China: a armadilha do sistema, da renda média e de Tucídides. O Governo da China já tinha preparado para isso e estabeleceu três objetivos: a felicidade do Povo, a prosperidade do País, a paz mundial e o desenvolvimento comum.

Armadilha do Sistema

No que respeita ao sistema, muitos analistas ocidentais esperavam o colapso da China, tal como aconteceu com a ex-União Soviética e o Leste da Europa. O ex-presidente americano Richard Nixon até escreveu um livro para isso «1999, Vitória sem Guerra». Evidentemente, o Sr. Nixon iria ficar desapontado, visto que já passaram duas décadas desde 1999, e o sistema chinês em vez de mostrar o mínimo sinal de colapso, está de vento em popa. E qualquer observação objetiva e sem preconceitos sobre a China vai chegar a mesma conclusão. No entanto, a China está longe de ser perfeita e ainda existem na China muitas críticas e algum descontentamento, o que por seu turno também reflete o estado saudável do sistema chinês. É preciso salientar que a grande maioria da população chinesa está confiante quanto ao futuro do País. Conforme a sondagem realizada em 2018 pelo Centro da Pesquisa Pew da América, 66% dos cidadãos chineses estão cheios de confiança no governo, o que é quase o dobro da percentagem dos EUA e que ficou no 5º lugar ao nível mundial. De acordo com o relatório de 2019 da empresa americana Nielson, 81% dos consumidores chineses consideram que a sua situação económica é melhor do que 5 anos atrás, percentagem essa que é muito superior à média global que fica por volta das 58%.

O arquiteto chefe da Reforma e Abertura da China, Sr. Deng Xiaoping tem uma frase bem conhecida por todos os chineses “Gato branco ou preto, desde que apanha o rato, é um bom gato”. Os avanços significativos da China, por seu turno, também demonstram que o sistema chinês é um sistema que promove o rápido desenvolvimento da produtividade. E o sucesso do sistema chinês tem o seu significado mundial sem precedente.

Armadilha da Renda Média

A armadilha da renda média constitui um sério desafio para muitos países em via de desenvolvimento, o que é menos preocupante para a China. Os 70 anos fizeram da China de um país pobre e fraco para a segunda maior economia mundial, o maior exportador, o maior produtor e o segundo maior investidor direto, com uma taxa média de crescimento económico de 8.1% por ano. Têm-se alcançado avanços significativos na educação, na cultura, na saúde, nas infraestruturas, na ciência e tecnologia. Têm-se registado um boom na economia digital, na economia de plataforma e na economia compartilhada com a introdução das novas tecnologias como a Big Data, a computação em nuvens, a inteligência artificial etc. Mais de 700 milhões de cidadãos chineses saíram da pobreza, o que representa mais de 70% do alcançado em todo o mundo. O nível do bem-estar e da felicidade do Povo têm-se melhorado significativamente e a China já é o maior fornecedor de turistas internacionais.

Evidentemente, queremos ir ainda mais longe e já começamos uma nova “Longa Marcha” da nova era. Apostamos na reforma, na inovação, e na nova estrutura de crescimento, com objetivo de alcançar o crescimento sustentável. Apostamos também na abertura, na maior integração na economia mundial, desempenhando papel do principal motor do crescimento económico mundial. Com a renda per capita a ultrapassar 10 mil dólares americanos, o sistema industrial mais completo do mundo e a grande potencialidade da urbanização, a China dispõe de excelentes trunfos para ultrapassar a armadilha da renda média.

Se formos analisar a história da humanidade, podemos descobrir que ao longo dos mais de 250 anos desde a Primeira Revolução Industrial, o número dos países que concluíram a industrialização não ultrapassa 30, cuja população total nem chega a um bilhão. No entanto, a China conseguiu basicamente a industrialização em apenas 70 anos e pretende dedicar as próximas três décadas para concretizar a modernização do País, o que constituiria uma boa referência para outros países e uma marca sem precedente em toda a história da humanidade.

E a Armadilha de Tucídides?

É mesmo inevitável a armadilha de Tucídides? É difícil eu concordar com a opinião do Professor Graham T. Allisson. Ninguém sairia vitorioso nos conflitos entre os países grandes e o enorme Oceano Pacífico é suficiente para caber a China e os EUA. Os EUA são e continuarão a ser durante muito tempo a única superpotência mundial. A China tem uma população quatro vezes da dos EUA e já ultrapassou os EUA na indústria manufatureira e na exportação, e tornar-se-á no maior mercado dentro de pouco tempo. É normal e compreensível que o PIB da China ultrapasse o dos EUA num dia destes. O Povo chinês ama a paz e não tem o ADN de invasão. A China defende o novo relacionamento internacional que se baseia no respeito mútuo, na igualdade e justiça e na cooperação ganha-ganha e está empenhada na Comunidade de Destino Comum da Humanidade através da iniciativa “Um Cinturão e Uma Rota”.

Evidentemente a saída desta armadilha depende também dos EUA. Estou convicto de que os EUA tomarão uma decisão certa, visto que a cooperação sino-americana é benéfica não só para os dois países, mas também para todo o mundo. Prevalecerão o interesse comum e a consciência.

A China ultrapassará, com sucesso, as três armadilhas, visto que encontramos um caminho que corresponde a realidade chinesa. O êxito da China abrirá horizontes para outros países. Todos os caminhos levam a Roma e não existe um único modelo que funciona em todos os países. O sucesso do sistema passa-se obrigatoriamente pela sua adaptação à realidade de cada país.

Com a sua celebração de 46º Aniversário da Independência, o jovem Estado da Guiné-Bissau está a procurar veementemente o seu caminho de desenvolvimento que melhor corresponde à realidade nacional. Expresso os meus sinceros votos para que o povo irmão da Guiné-Bissau obtenha o sucesso!

Por: Jin Hongjun, Embaixador da República Popular da China na Guiné-Bissau

Bissau, 24 de Setembro de 2019

1 thought on “Opinião: INDEPENDÊNCIA, PERCORRER O SEU CAMINHO COM A CABEÇA ERGUIDA

  1. Quem olha para a China nos dias de hoje, vê sua posição consolidada como a segunda maior economia mundial e um grande motor para o crescimento global, como uma potência socialista e um influente membro da comunidade internacional em todos os assuntos.
    A proclamação da República Popular da China foi a materialização de uma estratégia revolucionária vitoriosa que permitiu a reconstrução de uma unidade política interna e a restauração de um Estado soberano.

Deixe um comentário para Fernando Jorge Moreira Insakpa Cancelar resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *