Festa de colheita agrícola: MINISTRO SENEGALÊS RECOMENDA A “SOBERANIA ALIMENTAR”

O ministro senegalês de Agricultura e Equipamento Rural, Moussa Baldé, alertou as autoridades da Guiné-Bissau sobre a necessidade de trabalhar afincadamente para garantir a soberania alimentar à população antes de se pensar noutros projetos de desenvolvimento, porque “sem a soberania alimentar não se pode projetar a educação ou ter boa saúde. Por isso, devemos garantir a segurança alimentar às nossas populações”. 

O governante senegalês lançou este alerta durante a sua comunicação na primeira festa de colheita realizada na Guiné-Bissau, concretamente na aldeia de Binhome, setor de Bissorã, região de Oio no norte do país. 

A aldeia de Binhome é constituída por oito tabancas com uma área de 180 hectares e que, a semelhança de várias outras aldeias do país, vive especificamente da agricultura, pecuária, pesca artesanal e exploração florestal.

O ministro senegalês fez-se acompanhar, nesta sua deslocação por membros do seu gabinete e dos responsáveis de diferentes serviços do seu ministério e pelo responsável do instituto de pesquisa agrícola do Senegal e ainda pelo Embaixador do Senegal na Guiné-Bissau. 

O governo senegalês apoiou as autoridades da Guiné-Bissau em sementes agrícolas no ano passado, designadamente: sementes de arroz, mancarra, feijão e fertilizantes, apoio estimado em cerca de dois milhões de dólares norte-americanos. De acordo com as autoridades guineenses, mais de 70 por cento da população agricultora beneficiou daquela ajuda.

O ministro da Agricultura e Equipamento Rural do Senegal explicou que, desde a sua chegada ao poder, o Presidente Macky Sall fez da agricultura um dos maiores pilares do seu programa de governação.

Acrescentou que Macky Sall iniciou com aquilo que denominaram “Plano Senegal Emergente” para o horizonte 2035 que, segundo a sua explicação, está virado à agricultura sob a forma do programa de aceleração do cadastro senegalês de agricultura.

“Estou a explicar tudo isso, porque creio que é importante. Quero fazer o lobbying para o meu homólogo, acho que a Guiné-Bissau pode inspirar-se deste programa. O programa de aceleração de agricultura senegalês permitiu ao nosso país aumentar a produção de arroz que era entre 300 a 400 mil toneladas em 2012 para 1.500 000 (um milhão e quinhentos mil) toneladas de arroz este ano, graças ao programa de emergência. É possível a implementação deste programa na Guiné-Bissau, porque o que eu sei e o que vejo, o potencial rizicultor da Guiné-Bissau é relativamente muito maior e importante do que o do Senegal”, contou.

Baldé explicou que o mesmo programa que contém uma componente agrícola importante permitiu igualmente multiplicar três vezes mais a produção de mancarra, tendo informado que conseguiram produzir este ano 1.800 000 (um milhão e oitocentos mil) toneladas de mancarra.

“Não podemos falar de emergência no Senegal sem que haja o progresso na Guiné-Bissau, portanto devemos progredir juntos. Não pode haver abundância agrícola no Senegal e fome na Guiné-Bissau ou vice-versa, então devemos ser solidários para que haja abundância agrícola nos nossos países”.

Assegurou, neste particular, que o seu país está aberto para estabelecer uma cooperação dinâmica e ativa que permitirá melhorar a produção agrícola na Guiné-Bissau, tendo lembrado que o Senegal tem uma vasta experiência em matéria de pesquisa agrícola, da proteção vegetal e muita experiência em matéria da mecanização agrícola. Recordou também que o Presidente Macky Sall conseguiu colocar à disposição de produtores dois mil tratores agrícolas. 

“Somos dois povos irmãos e, por isso, devemos caminhar juntos para obter sucessos e conseguir a nossa soberania alimentar. O Senegal, por exemplo, tem um programa que o permitirá ter soberania alimentar em 2023. Creio que este mesmo programa poderá ser implementado na Guiné-Bissau, mas devemos trabalhar todos para que possamos ter a nossa soberania alimentar, de forma a podermos pensar noutros programas de desenvolvimento, porque sem a soberania alimentar não podemos pensar na educação e nos programas eficazes para a saúde”, alertou.


Por: Assana Sambú

Foto: A.S  

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