ASSOCIAÇÃO OFERECE MEDICAMENTOS GRATUITOS A PESSOAS COM DIABETES NA GUINÉ-BISSAU


A Associação para Saúde e Luta Contra Diabetes na Guiné-Bissau (ASLUC DIABETES-GB), uma organização criada por duas irmãs gêmeas guineenses, Gisa Lopes e Misa Lopes, oferece “medicamentos gratuitos” há mais de três anos, a pessoas com diabetes com apoio do governo da Suíça.

Devido ao aumento de número de casos das diabetes no país e pelo fato de a Guiné-Bissau não possuir os medicamentos necessários para tratar as diabetes, ASLUCODIABETES-GB tem trabalhado para aumentar a “conscientização, prevenção e o rastreamento”, a fim de reduzir o índice de amputações e mortes.

Em entrevista concedida ao Jornal O Democrata e à Rádio Jovem, a 21 de fevereiro de 2021, domingo último, a Assessora Administrativa da associação, Misa Lopes, assegurou que as pessoas com diabetes têm frequentado às instalações onde funciona a associação, em Bissau devido às dificuldades financeiras do país.

“Cada dia que passa estamos a receber novas pessoas diagnosticadas com a doença, devido a existência de diferentes tipos de diabetes na Guiné-Bissau. Essas pessoas precisam de apoio, porque a situação financeira para adquirir medicamentos e aparelhos de despistagem é muito difícil, por isso decidimos dar a nossa contribuição”, declarou Misa Lopes.

Localizada no bairro de Cupelum de Baixo, concretamente junto a sede dos Bombeiros Humanitários de Bissau, a sua sede provisória, a ASLUCODIABETES-GB tem uma equipa de profissionais de saúde e de colaboradores que atendem os pacientes vindos das diferentes zonas do país, todos os fins de semana.

A enfermeira Geraldina Tomé da Silva, uma das profissionais de saúde que tem colaborado com a associação, revelou que desde a abertura daquele espaço, as pessoas com diabetes estão a respeitar as recomendações médicas para reduzir os riscos.

“Sabemos que atualmente há mais diabetes adquiridos, ou seja, adquiridos através das alimentos que as pessoas consomem e pelo sedentarismo, aconselhamos as pessoas que continuem a cuidar-se, porque a situação econômica do país não está nada bem e isso está a refletir-se no aumento da doença”, sublinhou Geraldina Tomé da Silva.

Tomé da Silva, enfermeira que trabalha no serviço da urgência do Hospital Simão Mendes em Bissau, revelou durante a entrevista, que tem usado a instituição pública onde trabalha, para detetar as pessoas atingidas pela doença e posteriormente transferi-las para o local onde funciona ASLUCODIABETES-GB, devido à falta de insulina e demais medicamentos na unidade hospitalar.

Ouvido por uma equipa de reportagem do Democrata, Nhau Mbalí, uma das pessoas que tem beneficiado dos medicamentos, mostrou-se satisfeita com a iniciativa das duas manas, o que lhe permitiu prevenir-se da melhor forma.

“Desde que comecei a frequentar estas instalações em Outubro último e que comecei a tomar medicamentos, passei a sentir-me muito bem com os profissionais de saúde que cuidam das pessoas, porque dantes eu não tinha condições para comprar os medicamentos, agora não tenho dificuldades devido ao apoio da associação”, finalizou Nhau Mbalí.

Gisa Lopes e Misa Lopes são filhas de pais com diabetes, e Gisa teve que sair da Guiné-Bissau para encontrar a melhor tratamento  e remédios para ajudar a sua irmã que ficou em Bissau, com o mesmo problema.

Após ter recebido vários medicamentos, vindo da Suíça, para o seu tratamento, Misa Lopes concluiu que existiam muitas pessoas com problemas das diabetes e isso fez com que as duas irmãs decidissem criar ASLUCODIABETES-GB para ajudar as pessoas afetadas com diabete de forma gratuita.

Fundada em 2017, ASLUCODIABETES-GB,  em colaboração com a Associação Suíça de Ajuda a Pessoas com a doença, tem fornecido medicamentos e equipamentos adequados gratuitamente.  

Também ajuda as pessoas que sofrem de hipertensão que não dispõem de recursos necessários para o tratamento.Segundo explicação dos profissionais de saúde pública, a Guiné-Bissau conta com programas de combate ao HIV/SIDA, Tuberculose e Malária, mas não tem nada semelhante para lutar contra as diabetes e chamam atenção do governo para a necessidade de dar uma resposta nacional rápida às diabetes.

Por: Alison Cabral

Foto: AC

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