Empreendedora Eusébia Malaca: “GOVERNO DEVE APOIAR TRANSFORMADORES LOCAIS PARA QUE O PAÍS DEIXA DE IMPORTAR REFRIGERANTES”

A responsável do Centro de Transformações de Frutas “Sabores Casal&Cardoso”, Eusébia Malaca, disse que se o governo der uma atenção especial aos transformadores de produtos ou frutas locais em termos de apoios, a Guiné-Bissau deixará de importar vários produtos alimentares, particularmente refrigerantes, “porque existe um número considerável de transformadores para abastecer o mercado nacional e suficiente número de produtos locais com muita qualidade”.

“Os produtos locais são melhores em termos de qualidade e para consumo, porque não sofreram qualquer transformação com produtos químicos, portanto são cem por cento naturais, por isso os consumidores nacionais devem começar a apostar no consumo de produtos transformados no país”, alertou a empreendedora e ativista da defesa dos direitos das mulheres e crianças, durante uma entrevista ao Jornal O Democrata para falar sobre a sua experiência de empreendedorismo e das dificuldades que tem enfrentado no mercado, bem como da disponibilidade de servir melhor o país, se tivesse uma ajudinha do governo.

“FALTA DE MÁQUINAS DÁ-ME PREJUÍZOS! PRECISO DE MATERIAIS PARA AUMENTAR A PRODUÇÃO”

Malaca vendia, há mais de 20 anos, apenas sumo natural de calabaceira e limão e sanduiches de peixe no liceu da cidade de Bissorã. Um dia, o marido questionou-a se não seria possível fazer sumo de manga, porque havia muita manga e que muitas simplesmente acabam por estragar-se no chão. A partir dali começou a fazer sumo da manga transformada tradicionalmente.

O maior desafio era como conservar o sumo. Sem solução imediata, começou por uma produção pequena para vender em três dias e quando esgotava fazia novamente.

O Centro de Transformações de Frutas “Sabores Casal&Cardoso” foi criado pela empreendedora, depois de formar-se na área de transformação de produtos em Nhabidjom. O Centro transforma várias frutas e produtos em sumo, cereais e compotas. 

Eusébia Malaca explicou que foi escolhida pelo então diretor do liceu de Bissorã, para ir formar-se na área de transformação de frutas e conservação, no Centro de Nhabidjom, tendo acrescentado que fora selecionada juntamente com várias outras pessoas e que a maioria acabou por deixar de trabalhar neste setor.

“A formação foi apenas de três dias, recebemos conhecimentos suficientes sobre a transformação de produtos, por isso quando voltei, comecei a mostrar na prática aquilo que tinha aprendido, junto da associação de filhos de Bissorã. Tendo em conta algumas dificuldades no trabalho de grupo, particularmente no referente a colaborações de pessoas, optei por uma iniciativa particular, trabalhando sozinha. Decidi criar o Centro Sabores Casal&Cardoso” relatou, para de seguida avançar que foi uma aposta corajosa, mas que era necessário assumir e que atualmente o centro anda com os próprios pés, apesar de algumas dificuldades.   

Relativamente à venda de produtos transformados, disse que atualmente o maior constrangimento no mercado de Bissorã é a venda de sumo colocado em garrafas recicladas, porque alguns consumidores, particularmente os que professam a religião muçulmana, recusam comprar sumos colocados nessas garrafas porque, de acordo com os seus entendimentos, tinham sidos usados para engarrafar bebidas alcoólicas.

Assegurou que os restantes produtos como papa de milhos ou mandioca, kuntchur, moni e compotas de frutas saem rapidamente sem nenhum problema. 

Outro constrangimento é a falta de materiais de trabalho, particularmente de trituradora. Esse constrangimento obriga a empreendedora a ter de pagar o aluguer de uma máquina para fazer o trabalho. Quando a máquina está ocupada a fazer trabalhos de outras pessoas, causa-lhe prejuízos enormes e, nos últimos tempos, para dar à volta a essa situação e consequentes prejuízos, ela leva os produtos ao setor de Bula, para a transformação. 

“Produzimos sumos de diferentes frutas e fazemos compotas no centro. E fazemos também papas de milho, bolachas entre outras. Recebi apoios da Associação das Mulheres de Atividade Económica (AMAE), em termos de formação na área de empreendedorismo. Lembro-me ainda que concorri a um fundo do Projeto ENDJEN. Fui selecionada e recebi um financiamento de dois milhões e seiscentos mil Francos CFA) para construir o centro de transformação e para aquisição de alguns materiais. Ajudaram-me com o mercado para colocar os meus produtos nomeadamente, Darling e lojas de uma das estações de combustíveis na estrada principal”, espelhou.

Eusébia Malaca confidenciou ao nosso semanário que o seu maior sonho é criar uma loja tanto em Bissorã como em Bissau e outros espaços para vender os produtos transformados e permitir que os consumidores tenham acesso fácil aos produtos transformados localmente sem químicos. Por isso, clama por ajuda de pessoas de boa vontade ou do próprio executivo para que possa materializar o seu sonho. 

“Neste momento existem vários jovens formados na ADPP de Bissorã na área de transformação e conservação dos produtos naturais, mas não têm apoio para começar os seus trabalhos e muito menos mercado onde possam vender os produtos. Se o Estado apoiar esses jovens e outras pessoas que trabalham nesse domínio, reduzirá o banditismo e o desemprego no país”, sublinhou.

Por: Aguinaldo Ampa

Foto: A.A

1 thought on “Empreendedora Eusébia Malaca: “GOVERNO DEVE APOIAR TRANSFORMADORES LOCAIS PARA QUE O PAÍS DEIXA DE IMPORTAR REFRIGERANTES”

  1. Por favor qual é o contacto dessa mulher.
    Se alguém pretende fazer alguma ajuda a D. Eusébia Malaca?

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