Tem sido frequentes as abordagens económicas que colocam os Recursos Naturais na primeira posição entre os factores clássicos de produção, precedido de Recursos Humanos e Capital.
Chamemos, desde logo, de Recursos Naturais: a terra arável, o petróleo e o gás, a floresta, a água e os recursos minerais, de uma forma geral.
Há, no entanto, países de rendimento elevado que cresceram principalmente com base nos seus recursos primários, com grandes produções na agricultura, nas pescas e na floresta.
Nos últimos três meses, a contar a partir dos meados de Novembro de 2014, o mundo económico conheceu uma “nova crise” que afectou o sector de petróleo, provocando a depreciação recorde de preço de crude por 40 dólares/barril.
Ora, a questão que se coloca prende-se com a sustentabilidade desse recurso (petróleo).
Países como Angola, por exemplo, que são extremamente dependentes da exportação de petróleo e que têm vindo, na última década, a atingir patamares “aceitáveis” da exportação e do “crescimento económico”, estão neste momento sentindo os efeitos da recente crise de petróleo.
E, por conseguinte, com a “velocidade de canguru”, o governo angolano tomou medidas para pôr termo à essa situação vigente, tendo anunciado que o contributo do petróleo para as receitas fiscais do país deverá cair para 36,5% em 2015, cerca de metade do valor em relação ao ano anterior, devido à quebra na cotação internacional do crude.
A crise de petróleo, segundo o presidente José Eduardo dos Santos, “tem afectado, sobremaneira, as receitas do Estado. E prevê-se, assim, que o contributo do sector do petróleo para as receitas do Orçamento Geral do Estado [OGE] angolano, que em 2014 foi de cerca de 70%, seja este ano apenas de 36,5%”.
No extremo oposto, na Guiné-Bissau, assiste-se um “debate renhido” em relação ao arranque ou não da exploração de Recursos Naturais, uma vez que há quem defenda a sua imediata exploração, ao passo que outros “exigem” contenção, ponderação e preparação do país, antes de avançarmos para a exploração dos recursos minerais.
Mas, é preciso enaltecer, no meu ponto de vista, que a posse de Recursos Naturais não é o mais necessário para o sucesso económico dos países, pelo menos no mundo moderno. Pois, não faltam exemplos de países sem significativa quantidade de recursos naturais, mas que obtiveram prosperidade económica, através da sua rede densa de indústrias de serviços. Muitos países, como o Japão, não têm praticamente Recursos Naturais, mas desenvolveram-se ao especializarem-se em sectores que dependem mais do Trabalho e do Capital de que propriamente de Recursos Naturais.
Gana é um outro caso de “bom exemplo” em matéria da capacidade de diversificação da economia, criando estruturas com vista a explorar Recursos Naturais – Petróleo – sem perder de vista outros sectores económicos, tais como: serviços, turismo, telecomunicações, entre outros.
Explorar Recursos Naturais, por tanto, permite aos países, como Guiné-Bissau, mobilizar fundos, através de exploração e exportação em grande escala, e proporcionar a qualidade de vida à sua população.
Mas, vale destacar que se, até neste momento, não conseguimos estruturar e organizar um outro sector do qual somos “dependentes”, isto é, a castanha de caju. Então…
Como podemos gerir a problemática de petróleo, bauxite, fosfato e outros minérios?
É preciso, também, destacar que, durante 40 anos, andamos a caminhar no desastre político e social, porque ao invés de apostarmos na industrialização e convocando outros sectores da sociedade, no sentido de encontrarmos soluções comuns e inclusivas, para se lidar com os nossos recursos quer naturais, quer humanos.
Durante todo esse “timing”, dialogamos menos, e, como consequência, um dos problemas do país tem sido a “dependência estrutural”, tanto da castanha de caju para a exportação, quanto da ajuda externa para mobilização de financiamentos à nossa economia.
Por fim, podemos até apostar em vários sectores, e podemos inclusivamente desenhar inúmeros planos estratégicos para fazermos face à problemática de petróleo e às outras crises actuais. Todavia, muito sinceramente, acredito que todas essas apostas devem ser centradas e concentradas no “Homem Guineense”…
Boa leitura!
Bissau, 10 De Fevereiro de 2015.
Santos Fernandes






















Parabéns pela reflexão concisa e precisa sobre a problemática dos recursos naturais e a chamada de atenção em relação ao caso guineense. Bom artigo!