Opinião: CHINA COMO ALTERNATIVA E PROMOTORA DA PAZ E ESTABILIZA MUNDIAL

O mundo encontra-se numa situação de extrema complexidade e à beira do colapso, fruto da irresponsabilidade e da ambição desmedida de países como os Estados Unidos da América e Israel. Os Estados Unidos e os seus satélites — Israel e países árabes do Golfo — não conseguem aceitar a possibilidade de virem a ser ultrapassados, tanto no plano económico como no militar, por países outrora rotulados como “terceiro mundo”, que hoje apresentam um panorama radicalmente distinto, notavelmente avançado nos domínios da educação, da economia e, em particular, do desenvolvimento de tecnologia militar.

Na ausência de capacidade para acompanhar essa mudança, os aliados dos EUA preferem alinhar-se numa estratégia suicida, capaz de provocar, nessas regiões, destruições jamais vistas, como se verifica atualmente no caso do Irão.

Estamos perante uma verdadeira cruzada do chamado “mundo ocidental”, liderado pelos EUA, contra países anteriormente classificados como “terceiro mundo”, como a China, o Irão e a Rússia, e, de um modo geral, as nações do Sul Global. Os Estados Unidos, sob a liderança de um presidente que parece desprovido de juízo, cujo maior sonho é “Tornar a América Grande Outra Vez” (MAGA), decidiram transformar a sua Marinha numa força mercenária, agindo como autênticos “piratas do mar”.

A Marinha norte-americana, sob a liderança de Trump, assalta petroleiros de outras nações e rapta chefes de Estado no calar da noite, tudo em nome de uma suposta “justiça” e da promoção da democracia. Esses argumentos, além de falsos, ocultam o verdadeiro objetivo dos EUA e do seu demente presidente. Se o propósito fosse genuinamente instaurar a democracia, os lacaios — os monarcas do Golfo — seriam os primeiros a ser depostos.

Infelizmente, a Marinha americana tornou-se a principal fiadora dos regimes autocráticos árabes, em troca do controlo dos seus recursos petrolíferos e da aquisição de ativos norte-americanos. Fecham-se, assim, de forma conveniente, os olhos às atrocidades cometidas por esses monarcas. Entre os aliados dos EUA no mundo árabe, contam-se pelos dedos de uma mão aqueles que supostamente vivem sob regimes democráticos.

Relativamente a esta guerra insensata contra o Irão, ao sequestro do Presidente Maduro em conivência com setores do seu próprio exército para a apropriação do petróleo venezuelano e à corrida pelo controlo de rotas marítimas estratégicas, a ilação a retirar é clara: todas estas atitudes abusivas são reflexo do medo que os Estados Unidos nutrem em relação à República Popular da China. Um país que, devido ao seu crescimento estruturado e sustentável, é visto como a maior ameaça aos EUA nos planos económico, militar e tecnológico, com particular ênfase na tecnologia de defesa. É esta a razão pela qual a administração do Presidente Trump faz de tudo para estrangular a economia do gigante asiático.

A Administração Trump tentou inicialmente fazê-lo através da imposição de tarifas alfandegárias sobre produtos chineses, alegando o combate ao tráfico de fentanil — droga responsável por uma grave crise de overdoses em solo norte-americano. A estratégia falhou e agora regressa com uma abordagem mais audaciosa, mas também mais ridícula: cortar ou controlar as linhas de passagem marítima do comércio mundial, sobretudo as do petróleo.

Conhecendo a forma cautelosa e estratégica como a China sempre atuou, Trump e os seus aliados perderão, certamente, esta maldita guerra. Aliás, já estão a perdê-la. Prova disso é a crescente perda de apoio dos seus aliados europeus, que outrora seguiam cegamente os Estados Unidos nas suas mais patéticas aventuras, em nome de uma aliança e de uma suposta proteção mútua.

O silêncio da China perante as atrocidades perpetradas pela Administração Trump é questionado por muitos analistas e académicos dos países do Sul Global, que acompanham com enorme preocupação o desenrolar desta grave crise global — particularmente no setor energético.

Na minha opinião, esse questionamento é legítimo. No entanto, quem acompanha de perto a política chinesa sabe que a República Popular da China sempre se pautou pela paz, pela estabilidade e pelo progresso no mundo.

A paz é um elemento fundamental da cultura do povo chinês, estando intrinsecamente ligada à sua identidade. Apesar de ser uma potência militar — inclusive nuclear — e económica, a China nunca invadiu um país nem procurou dominar outro povo.

Durante o período de intensa corrida à dominação de povos em diversas partes do mundo, a China não se dedicou à colonização nem à subjugação de outras nações. Embora tenha sido invadida e tenha sofrido todo o tipo de atrocidades, conseguiu sempre reerguer-se e lutar heroicamente contra os invasores.

Não obstante as pressões e perseguições dos Estados Unidos contra os seus interesses, a China tem privilegiado o diálogo e a promoção da paz e da estabilidade mundial, mesmo sacrificando, por vezes, interesses próprios e de aliados envolvidos.

Este modelo político demonstra a diferença entre as potências. Enquanto os Estados Unidos procuram dominar países e apropriar-se de petróleo pela força, recorrendo a “piratas do mar” em várias partes do mundo, a China expande a sua influência por meio do comércio, de programas de apoio ao desenvolvimento e do seu compromisso com a estabilidade global, destacando-se, acima de tudo, pelo grande projeto “Futuro Compartilhado: Uma Faixa e Uma Rota”.

É com estes ideais e com o seu ADN de paz que a China conquistou, inclusive, a confiança de antigos aliados dos Estados Unidos, hoje recebidos com honras em Pequim, no Palácio do Povo, para discutir comércio, economia, desenvolvimento tecnológico e, sobretudo, a necessidade de preservar a paz mundial.

Com base nesses mesmos ideais de paz, estabilidade e desenvolvimento económico, a oposição de Taiwan decidiu apresentar-se perante a China Popular, demonstrando abertura total para o diálogo. Certamente, será através desses princípios que, finalmente, se reunificará a ilha de Taiwan e o seu povo à República Popular da China.

Esta é a lição que a China, sob a liderança do Presidente Xi Jinping, transmite ao mundo, em especial à Administração Trump, que insiste em demonstrar força por meio dos seus “piratas do mar”. Em sentido oposto ao dos “yankees”, a China continua a ganhar influência e a ocupar um lugar de destaque no cenário internacional sem disparar um único tiro, apresentando-se como uma alternativa e uma verdadeira promotora da paz e da estabilidade mundial.

Por: Assana Sambú

Diretor Adjunto do Jornal O Democrata

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