GUINÉ-BISSAU USA APENAS 30% DA SUA TERRA ARÁVEL

O secretário-geral do Ministério de Agricultura, Malam Cassamá, disse que a Guiné-Bissau possui mais de 1.3 milhões de hectares de terra arável, mas apenas 30% desse potencial é utilizado de forma regular.

“Temos um défice muito grande entre a oferta e a procura, em termos de produção alimentar, carências e fragilidades estruturais”, precisou.

Malam Cassamá revelou esses dados esta quarta-feira, 10 de agosto de 2022, na abertura do ateliê de dois dias (10 e 12) sobre a criação do quadro de concertação nacional de atores multissetoriais para o setor de Agro-Ecologia e elaboração de um esboço de plano de ação 2022/2024.

Na sua intervenção, o secretário-geral do ministério da Agricultura defendeu que é urgente questionar os modelos de produção virados apenas para o mercado, o negócio e o lucro, enquanto os interesses e as necessidades dos agricultores, que constituem a espinha dorsal da produção alimentar, são relegados para segundo plano.

Cassamá afirmou que a Guiné-Bissau deve começar a preocupar-se com o futuro da sua agricultura, começando primeiro pela definição de uma visão que promova e desenvolva uma agricultura durável alimentada por modelos agroecológicos de produção.

“Nós sabemos que os desafios são enormes, mas é importante ter os conhecimentos, evidências e recursos significativos que são necessários”, salientou.

Por sua vez, o correspondente Nacional do Programa Agro-ecologia, Colido Vieira, enfatizou que as mulheres agricultoras do sul são responsáveis por metade da produção de alimentos, contudo, lamentou que não tenham gozado de condições de trabalho justas e iguais aos homens.

Neste sentido, alertou que perante os riscos que decorrem das alterações climáticas e vitalidade dos preços que resulta de mercados cada vez mais globalizados, torna-se necessário adotar medidas que mitiguem as ameaças e protejam o rendimento dos produtores.

 “A Guiné-Bissau, por ser um dos países vulneráveis e extremamente afetado por choques externos, provocados pelas mudanças climáticas e desequilíbrios estruturais no mercado, deve estar na linha de frente para a sobrevivência dos agricultores. o que passa necessariamente pela intensificação da agricultura durável, alimentada pela agroecologia, socialmente mais adaptada à realidade local”, precisou, para de seguida defender que a transição agroecológica deve reconhecer o papel fundamental das mulheres e incluí-las na tomada de decisões e proporcionar-lhes uma segurança fundiária.

Porː Noemi Nhanguan

Fotoː N.N

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