Editorial: GERAÇÃO DAS FORÇAS ARMADAS COMO UM DISPOSITIVO DE COMUNICAÇÃO NA GUINÉ-BISSAU

O Perfil da consciência pública de uma geração nas Forças Armadas é uma espécie de um dispositivo de Comunicação. Mas na Guiné-Bissau, quando olhamos para uma geração militar como um dispositivo de Comunicação, não nos remete inevitavelmente para o pensamento de Michel Foucault que considerava o dispositivo de Comunicação “a rede que podemos estabelecer entre os elementos” de uma instituição pública de uma Nação. Creio que Michel Foucault pretendia demonstrar-nos que o poder público de um dispositivo de Comunicação é essencialmente o saber tecno-específico que torna mais visível a missão, os valores e a visão histórica das instituições públicas de uma sociedade. O que não acontece hoje e agora com a atual geração das nossas Forças Armadas.

Michel Foucault ressaltava, também, o caráter de dispositivo de Comunicação como uma instância específica, aberta com missão própria, valores e visão que o conferem o estatuto de uma organização com um perfil da consciência pública. Hoje a nova geração de atuais militares da Guiné-Bissau precisa definir a sua missão, os seus valores e a sua visão como Forças Armadas modernas e atuais, introduzindo uma ideia atualizada para poder cooperar com quaisquer instituições militares em África e no mundo que tenham também um dispositivo de Comunicação militar.

As Forças Armadas Revolucionárias do Povo (FARP) de 1970 eram uma espécie de um dispositivo de Comunicação da pátria amada cuja missão, valores e visão seduziam militarmente qualquer país do mundo a cooperar com a Guiné-Bissau. Os dispositivos de Comunicação das FARP de 1970 eram considerados como um instrumento tecno-militar específico da construção de uma nova pátria nacional que colocava em primeiro lugar a formação de um homem novo nas Forças Armadas.

Não era como o cinema, o teatro e a pintura que hoje reina nos dispositivos de Comunicação da nova geração das FARP da Guiné-Bissau.

Hoje, a nosso ver, os pivôs dos dispositivos de Comunicação das FARP, na Guiné-Bissau, não possuem um dispositivo tecno-semiótico para estabelecer a missão, os valores e a visão tecno-militar para poder estabelecer uma verdadeira cooperação de rosto humano em África e no mundo. Os dispositivos tecno-semióticos de construção da missão, dos valores e da visão da cooperação tecno-militar que as FARP de 1970 deixaram nos quartéis e no Ministério da Defesa Nacional devem estar, com certeza, desatualizados. Precisam, urgentemente, de serem atualizados para tornar mais visíveis o rosto humano da missão, dos valores e da visão das atuais FARP em todo o território nacional para se poder estabelecer uma nova cooperação técnica-militar a nível sub-regional e internacional.

É quase impossível a comunidade militar internacional olhar hoje para o rosto humano da nossa cooperação técnica-militar sem reconhecer a sua verdadeira missão, valores e visão. Assim sendo, repetimos, será quase impossível vendermos a verdadeira imagem humana da atual geração das Forças Armadas da Guiné-Bissau sem construirmos, com base num dispositivo tecno-semiótico, um projeto de cooperação tecno-militar que defina claramente os conceitos de cooperação tecno-militar que queremos estabelecer na sub-região e no mundo inteiro.

Na verdade, as FARP da geração de 1970 sabiam que a definição clara da Missão, dos Valores e da Visão da nossa cooperação tecno-militar era e, ainda hoje, é um instrumento de sedução dos objetivos da cooperação a nível regional e internacional.

Aliás, a maioria da cooperação tecno-militar passa hoje, em todo mundo, por apresentar de forma inequívoca, a missão, os valores e a visão das Forças Armadas como um dispositivo de Comunicação tecno-semiótico que alavancará e sustentará, por muito tempo, um processo de cooperação no domínio militar a nível regional e internacional.

A geração das FARP de 1970 sabia muito bem que apenas com a narrativa discursiva de cooperação tecno-militar, sem definir a estratégia de Comunicação da cooperação, não conseguiriam estabelecer uma verdadeira cooperação tecno-militar duradoura a nível sub-regional e internacional.

Ao estabelecer um dispositivo de Comunicação tecno-semiose de cooperação técnica-militar é uma prova inegável que as FARP de 1970 tinham um perfil de consciência militar tão apurada e adequada à realidade da integridade territorial na cooperação tecno-militar de que as atuais gerações das FARP que dirigem a integridade territorial da Guiné-Bissau.

Por: António Nhaga

Diretor-Geral

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