O presidente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, afirmou que “está mais do que evidente” que “há partidos que têm agendas de provocar bloqueios para tirar proveitos políticos”.
Pereira fez essa observação à saída da reunião de auscultação com o presidente da Assembleia Nacional Popular, Cipriano Cassamá, na terceira ronda do ciclo de auscultações promovida esta quarta-feira, 14 de dezembro de 2022.
Os partidos políticos com assento parlamentar continuam a não se entenderem quanto à composição da nova direção da Comissão Nacional de Eleições. De um lado, o PAIGC, o PRS e a UM defendem a reconfiguração da CNE, e por outro, o MADEM-G 15, a APU-PDGB e o PND querem a manutenção da atual direção até à eleição de novos membros do órgão.
Em declarações aos jornalistas, à saída do encontro, Domingos Simões Pereira criticou que a ausência dos líderes de alguns partidos “demonstra pouca vontade” com que alguns dirigentes participam das reuniões, pelo que o PAIGC não ficou surpreso com as posições que foram assumidas.
“Se não é possível encontrar soluções para criar um consenso, existe a comissão permanente da ANP que deve deliberar sobre esta matéria e posicionar-se”, sugeriu.

A vice-Coordenadora do Movimento para a Alternância Democrática (MADEM G-15), Maria Evarista de Sousa, reconheceu a caducidade do órgão, mas disse defender a continuidade da atual direção até à eleição dos novos membros.
“A atual direção da CNE deve manter-se em funções para organizar as eleições, o que quer dizer que o MADEM mantém a sua posição anterior”, precisou.

O Secretário Geral do Partido da Renovação Social, Carlitos Barai, disse que o PRS defendeu a remoção do atual figurino e eleger novos membros da CNE.
“A proposta foi aceite pelo PAIGC e pela UM, mas o MADEM G-15, o PND e a APU-PDGB rejeitaram essa proposta. Querem que mantenhamos todos os elementos do secretariado executivo da CNE e permitamos que apenas o presidente do órgão seja eleito”, afirmou.

Por seu lado, o vice-presidente da Assembleia do Povo Unido-Partido Democrático da Guiné-Bissau (APU-PDGB), Augusto Gomes, afirmou que a sua formação defendeu a mesma posição que o Mandem-G15, porque “o atual secretariado resultou de um quadro legal e a lei nos seus artigos 03 e 06 mostra claramente que é possível trabalhar com essa CNE até que sejam eleitos novos membros”.

Agnelo Augusto Regala, presidente da União para a Mudança, disse que tinha consciência que encontrar uma solução onde não há vontade política é difícil.

Por último, porta-voz do Partido da Nova Democracia (PND), Mamadu Saliu Djaló, informou que houve um debate muito sério na reunião e que havia vontade de todos os atores para se encontrar uma solução, mas por imperativo da legitimidade que os atuais membros da CNE gozam de dois terços dos deputados, não conseguiram chegar a um consenso por segurança jurídica.
Por: Aguinaldo Ampa





















