MOVIMENTO CÍVICO “PÓ DI TERRA” EXIGE O RESPEITO PELOS PRINCÍPIOS DEMOCRÁTICOS NO PAÍS

O Secretário-geral do Movimento Cívico “Pó di Terra”, Vigário Luís Balanta, exigiu o respeito pelos princípios democráticos na Guiné-Bissau e disse que, apesar de represálias e ameaças, o Movimento está determinado em continuar a defender os valores democráticos e o povo guineense.

“A Guiné-Bissau tem uma oposição muito fraca, débil e menos consistente. Há toda a necessidade de os jovens se levantarem para lutar e defender o povo. Por cinco anos a oposição tem defendido apenas os interesses dos partidos políticos, por isso não podemos depositar a nossa confiança nessa oposição sob pena de entregarmos o país a um grupo de pessoas para aniquilar o povo”, criticou.

Vigário Luís Balanta, que falava esta quarta-feira, 05 de março, em reação ao “rapto” de 4 membros dessa organização, disse que o Movimento surgiu para defender o interesse do povo e representar os sem vozes, porque “muitas pessoas nas tabancas estão a passar fome, os preços dos produtos essenciais estão a subir a cada dia”.

“Temos um governo que está a aumentar sistematicamente os impostos sem resolver problemas salariais dos servidores públicos. O país não tem um Parlamento a funcionar para fiscalizar os atos de governação, o Supremo Tribunal de Justiça funciona com o vice-presidente”, descreveu e disse compreender qual é o sentimento do atual regime em realizar eleições no Supremo por temer que os resultados venham a contrariar os métodos com que o regime tem atuado durante cinco anos do seu mandato.

Acusou o chefe de Estado de ter sequestrado todas as instituições do país, ainda assim disse que a organização está determinada em lutar, por ter consciência de que qualquer revolução tem sempre o seu preço.

“Somos netos de Amílcar Cabral e estamos dispostos a arcar com as consequências que a nossa luta terá, por isso rendemos uma homenagem a todos os ativistas, políticos, homens de justiça e jornalistas que foram raptados, sequestrados e espancados em pleno exercício das suas atividades. Já nos libertamos do medo e espero que o povo tenha o mesmo sentimento e defenda a Constituição da Guiné-Bissau”, assinalou.

Vigário Luís Balanta desafiou o Chefe de Estado Maior General das Forças Armadas, Biaguê Na N´Tan a tomar uma posição firme e intervir para a reposição da ordem constitucional no país, uma vez que jurou defendê-la.

Disse que o Estado Maior das Forças Armadas do país deve ter a coragem de defender o território nacional e o seu povo, que está a ser maltratado, reprimido e está a ser negado um dos direitos fundamentais que é o direito à manifestação e de expressão.

“Se o povo continuar a ser massacrado, o Estado Maior deve intervir e repor a ordem o quanto antes, embora existam leis. O poder real está nas Forças Armadas e é urgente salvar o povo antes que sofra mais. O mandato do Presidente Sissoco terminou. É preciso deixar o povo livre e que goze da sua consciência cívica como qualquer povo do mundo”, defendeu o ativista e disse que o Movimento não pretende provocar nenhuma subversão nem empurrar os militares para fazer a política ativa, mas deixou claro que se posicionarem do lado da verdade, essa posição poderá vincar a favor do povo e das leis do país.

“Deve haver um equilíbrio de forças. O povo está inseguro e ninguém tem controlo das forças de segurança do país. É urgente travar agora o que amanhã poderá colocar o país numa situação indesejável “, alertou, para de seguida afirmar que os membros da organização raptados foram acusados injustamente e que nunca tinham e nem têm o interesse de perturbar a ordem pública, muito menos defender um determinado grupo e prejudicar outros.                        

O rapto de 4 elementos do Movimento Cívico “Pó di Terra”, pelos agentes da Guarda Nacional, nos dias 27 e 28 de fevereiro aconteceu na sequência da marcha que tinham projetado para contra a permanência do Presidente Sissoco Embaló no poder, já que o mandato deste terminaria a 27 de fevereiro.

O rapto de 4 jovens membros do Movimento Cívico Pó agora em liberdade denunciaram que foram torturados.

Em reação a esta situação, o secretário-geral da organização cívica Pó di Terra condenou a atitude das forças da ordem, pelo rapto e espancamento de membros da organização, depois de ter comunicado uma manifestação pacífica contra oregime instalado no país.

Por sua vez, Buwassat Lopes Intchalá, uma das vítimas do rapto, revelou aos jornalistas que foram espancados em casa e quando foram levados para uma das unidades militares de Bissau também foram espancados e disse temer pela sua saúde e integridade física, caso a sua situação piore em consequência do espancamento de que foi vítima.

 

Por: Filomeno Sambú

Author: O DEMOCRATA

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