O candidato do Partido Africano para Liberdade e Desenvolvimento da Guiné (PALDG), João Bernardo Vieira, disse que voltou da viagem para participar nas eleições presidenciais com o único objetivo de derrotar o presidente da República cessante, Umaro Sissoco Embaló, nas eleições presidenciais de 23 de novembro próximo e devolver aos guineenses a esperança e sobretudo a liberdade.
“O que estamos a viver neste momento nunca o assistimos na Guiné-Bissau e nem mesmo no tempo da Guerra Ribeiro [Governador colonial português]. Sabemos que este combate político será um combate bastante difícil, mas temos a consciência de que tudo que é difícil não se dá de bandeja é preciso lutar para o conquistar”, criticou o político e dirigente do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), que concorre a estas eleições presidenciais com o apoio do PALDG, na sua declaração aos jornalistas no aeroporto internacional Osvaldo Vieira, em Bissau, depois da sua chegada do exterior.
“DISSERAM-NOS QUE CONSTRUÍRAM ESTRADAS, MAS O POVO NÃO COME ESTRADA…!”
Sobre as obras de requalificação da cidade de Bissau, das estradas e construções de edifícios, João Bernardo Vieira, assegurou que na verdade o povo não come estradas, acrescentando que estas eleições são oportunidades para que os guineenses se unam para retirar o Presidente Embaló do poder.
“Temos todas as condições para que os guineenses possam viver em paz e tranquilidade”, afirmou.
Vieira propõe cartão social e educação gratuita para jovens
Relativamente a sua visão política para o desenvolvimento da Guiné-Bissau, Vieira explicou que vai trabalhar com o governo na criação de um programa de assistência social e no qual todas as mulheres e jovens com idade de trabalhar e são desempregados beneficiarão de um cartão, onde receberão um subsídio no valor de 65 mil francos cfa. (aproximadamente 100 Euros) para os custos de medicamentos e alimentação.
“Não podemos aceitar que os guineenses que têm o direito a consulta médica, mas não o podem fazer por que não têm dinheiro para pagar a consulta médica. Em pleno século XXI não podemos admitir que os guineenses passem fome, portanto esta é a obrigação do Estado e o que queremos assumir quando ganharmos estas eleições”, disse.
Em relação à educação, João Bernardo Vieira disse que no seu programa, os alunos de 1º e ao 9º ano serão isentados de propinas escolares e assim beneficiarão gratuitamente dos materiais escolares. Acrescentou, neste particular, que “é possível fazermos isso enquanto Estado e enquanto povo”.
“SOU DO PAIGC E O ÚNICO CANDIDATO QUE PODE GARANTIR OS INTERESSES DO PAIGC”
Vieira aproveitou a ocasião para deixar o apelo ao seu partido e na qual afirmou que “é do PAIGC e não tem outro lugar para ir, fora do PAIGC. O desafio que temos é muito grande, por isso quero convidar todos os dirigentes para usarmos a cabeça, a consciência e em vez de usarmos o coração”, apelou o político e ex-porta-voz do PAIGC.
“Se os outros conseguiram entender-se e estão a caminhar juntos, porque é que nós no PAIGC não podemos unirmos esforços para derrotarmos o Umaro Sissoco Embaló no dia 23 de novembro”, advertiu.
Questionado se estará disposto a receber o apoio do PAIGC e da coligação PAI-Terra Ranka, respondeu que o PAIGC é o seu partido, afirmando que nunca traiu o PAIGC.
“Sou o único candidato que pode garantir os interesses do PAIGC e não há ninguém mais na lista de candidatos que disputam estas eleições presidenciais. Sou o único candidato que não derrubou o governo do PAIGC e que não fez complô contra o PAIGC. João Bernardo Vieira, desde o ano 2016, não faz parte de nenhum governo e até hoje, portanto não fez parte de nenhum governo sem a indicação do seu partido”, esclareceu, para de seguida, reafirmar que não vê nenhum candidato melhor posicionado nestas eleições melhores que João Bernardo Vieira, para defender os interesses do PAIGC e valores de Amílcar Cabral.
“Não sou traidor do PAIGC e nunca traí o meu partido! Sempre estive disponível para o meu partido… critiquei sim, porque a crítica é um dos princípios do PAIGC. Crítica e autocrítica, mas onde está o problema? Domingos Simões Pereira é o meu irmão mais velho. Não tenho nenhum tipo de problema dentro do PAIGC. Se houver a reunião do Comitê Central vou participar, porque é a minha casa”, contou.
Por: Assana Sambú





















