O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Bubacar Turé, denunciou na tarde desta segunda-feira, 22 de dezembro de 2025, que as condições em que se encontram os políticos detidos são cruéis, desumanas, degradantes, chocantes e indignas de um Estado que se pretende civilizado.
“As celas não dispõem de energia elétrica, não há água potável e a ventilação é praticamente inexistente, violando flagrantemente as regras mínimas para o tratamento de reclusos”, afirmou o jurista e ativista social durante uma vigília realizada esta tarde na Casa dos Direitos, em Bissau. O evento contou com a participação de diversas organizações de defesa dos direitos humanos, bem como de dirigentes de formações políticas que exigem a libertação dos cidadãos detidos na sequência do golpe de Estado ocorrido a 26 de novembro.
Bubacar Turé manifestou repúdio pelas detenções ilegais e arbitrárias de várias pessoas, nomeadamente o líder do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, Octávio Lopes, Roberto Mbesba e Marciano Indi, além de muitos outros cidadãos privados da sua liberdade desde 26 de novembro — há mais de três longas e dolorosas semanas.
O defensor dos direitos humanos recordou ainda que, antes destas detenções, muitos outros cidadãos, entre os quais Daba Na Walna, Toni Zamora Induta, Tcherno Bari e dezenas de outros, foram igualmente vítimas de detenções arbitrárias sob alegações repetidas — e nunca comprovadas — de tentativa de golpe de Estado. Acrescentou que alguns encontram‑se privados de liberdade há mais de sete meses, sem processo judicial, sem acusação formal, sem culpa formada e sem julgamento, sublinhando que detenções prolongadas constituem violação frontal da Constituição da República e de todas as convenções e instrumentos internacionais de direitos humanos assinados e ratificados pelo Estado guineense.

“Perante a gravidade extrema desta situação, não podemos permanecer em silêncio. Dirigimos, por isso, um apelo direto, firme e responsável à humanidade. Aproveitando o espírito do Natal — tempo de paz, reconciliação e respeito pela vida — apelamos para que se ordene, sem qualquer demora, a libertação imediata e incondicional destes cidadãos. O lugar destas pessoas não é em celas escuras e insalubres, mas sim nas suas casas, junto das suas famílias, filhos e entes queridos”, sublinhou.
Bubacar Turé reforçou que as prisões existem para punir criminosos após um julgamento justo, e não para encarcerar inocentes. Segundo defende, “prender pessoas inocentes é uma injustiça; persistir nessa injustiça é assumir uma responsabilidade histórica, porque nenhuma cela é suficientemente escura para aprisionar a verdade, nenhuma injustiça suficientemente forte para vencer a dignidade de um povo”.
Por: Aguinaldo Ampa





















