O Bispo da Diocese de Bafatá, Dom Victor Luís Quematcha, reconheceu o momento difícil que a Guiné-Bissau enfrenta, marcado pela inconclusão do processo eleitoral, por isso, defendeu uma paz “desarmada e desarmante”, construída não pela força, mas através do diálogo, da reconciliação, da justiça e do amor.
O chefe da Igreja Católica na região natal do fundador da nacionalidade guineense e cabo-verdiana, Amílcar Cabral, fez esta exortação na noite de quarta-feira, 24 de dezembro de 2025, na sua mensagem dirigida aos fiéis católicos e aos guineenses em geral, no âmbito da festa do Natal. Uma mensagem que constitui, consequentemente, “uma oração de esperança e um apelo urgente à Nação”.
Na sua mensagem intitulada “Construindo a Esperança com Cristo, Nossa Paz”, Dom Victor Luís Quematcha aborda de forma direta os desafios que o país enfrenta, desde a anulação do processo eleitoral pelo Alto Comando Militar até à violência generalizada.
O Bispo reconheceu o momento difícil vivido pelo país, marcado pela inconclusão do processo eleitoral, que deixa o povo na incerteza. Contudo, sublinhou que a “esperança cristã permanece firme”.
Relativamente à situação vigente no país, Dom Victor Luís Quematcha manifesta com “profunda dor a situação de famílias divididas, da violência física e verbal, de humilhações e torturas”. Fez também referência ao número crescente de viúvas e órfãos, que, segundo o chefe da diocese de Bafatá, “resultam de mortes não esclarecidas”.
O Bispo traçou uma radiografia dos setores sociais na sua mensagem, sobretudo no que concerne à fragilidade do sistema de saúde, em particular a precariedade da saúde pública e a fraca qualidade da educação, fatores que, afirma, comprometem o futuro do país.
O chefe da dioceses de Bafatá critica igualmente na sua mensagem a profanação do discurso de ódio nas redes sociais e que na sua opinião, aprofunda as divisões. E apelou na ocasião, para uma comunicação mais responsável.
Em relação aos políticos detidos, Dom Quematcha apelou as autoridades a libertação de todos os detidos no âmbito do processo eleitoral para que possam celebrar o Natal junto das suas famílias.
Dirigindo-se aos governantes, líderes políticos, religiosos, forças de segurança e à sociedade civil em geral, o Bispo conclui com uma exortação à “escolha do caminho da verdade, da paz e da fraternidade, para que a Guiné-Bissau volte a ser a casa de todos”.
Por: Redação
O Democrata/Rádio Sol Mansi





















