Nas sociedades democráticas, como a “nossa Guiné-Bissau”, os jornalistas devem produzir, livremente, as notícias de interesses público e não de interesse particular do público. Têm a obrigação profissional de esforçar para que os seus preconceitos pessoais não interfiram nos conteúdos jornalísticos produzidos para o consumo humano do público nacional.
Os jornalistas nacionais deveriam ser vistos, na nossa democracia musculada, como sendo um instrumento que proporciona, aos cidadãos nacionais, uma série de conhecimentos que permitem a criação de um imaginário colectivo étnico democrático nacional.
Hoje, infelizmente, na nossa musculada democracia eleitoral sem publicação de resultados, o jornalismo e os jornalistas nacionais são influenciados por líderes das plataformas dos partidos políticos e do Comando Militar.
O desaparecimento das atas eleitorais no rio Geba a caminho de Tombali deixou fusco a visão dos jornalistas nacionais que trabalham na imprensa tradicional. Todos andamos até hoje a procura, no rio Geba, as actas das eleições presidenciais e legislativas de 23 de Novembro de 2025.
Todavia, os jornalistas de telemóveis de plataformas dos líderes dos partidos políticos e do Comando Militar que praticam o “jornalismo de Informação” publicaram apenas as atas de discursos eleitorais de Cales que caíram no rio Geba a caminho de Tombali, deixando a deriva as verdadeiras atas eleitorais da Comissão Nacional das Eleições (CNE).
Esta disparidade de atas de discurso eleitoral de Rio Geba e da ata da CNE, que instalou, no nosso país, um novo governo de Comando Militar para a Reposição da Ordem Constitucional que está com enormes dificuldades de caminhar de braço dado com os Media e os jornalistas na construção de uma nova cidadania nacional exigente e participativa no estabelecimento de um novo imaginário coletivo étnico democrático nacional.
Os Media e os jornalistas nacionais têm de facto um papel decisivo na construção de uma cidadania exigente e participativa. Podem ajudar, o Comando Militar a fazer prevalecer a tolerância, a diversidade étnica e a uniformidade da população em todo o território nacional.
Infelizmente, o Comando Militar para a Restauração da Ordem Democrática elegeu os Media e os jornalistas como seus inimigos. Não os deixam exercer de forma transparente e livre as suas atividades jornalísticas.
Os dirigentes do Comando Militar têm recebido os Media e os jornalistas com uma certa desconfiança e ameaças de serem os verdadeiros perturbadores da Ordem Pública. Estabeleceu, assim com os jornalistas, uma relação de suspeição, de acusações e das ameaças iminentes de prisão dos jornalistas e de encerramento dos órgãos de Comunicação Social.
Não confiam deixar os Media e os Jornalistas a exigir a transparência dos seus governantes e responsabilizar os líderes políticos que violam a liberdade de imprensa.
Num cenário de construção de imaginário coletivo étnico democrático é preciso primeiro conscientizar os dirigentes do Comando Militar sobre a liberdade de imprensa e da prática de um jornalismo de qualidade na Guiné-Bissau.
Os dirigentes do Comando Militar não devem vedar a liberdade intelectual dos jornalistas de pautar os assuntos de interesses públicos e não de interesse particular do público. Não devem também intimidar os jornalistas. Os jornalistas devem trabalhar com a transparência e a responsabilidade na informação que produzem em notícias para o consumo humano dos cidadãos nacionais.
Os Media e os Jornalistas podem transformar os guineenses empáticos com o Comando Militar, reconhecendo a sua opinião atual e ter respeito pelo seu programa.
Por: Drº António Nhaga
Diretor-Geral
angloria.nhaga@gmail.com





















