Editorial: CONTOS DE FADAS DE INTERESSE PÚBLICO NA GUINÉ-BISSAU

A população da Guiné-Bissau sempre acreditou em contos de fadas que fazem muitos dos nossos jornalistas refletirem, enquanto profissionais da Comunicação, sobre o interesse público da nossa nação democrática. Eles não abordam apenas assuntos provenientes das fontes do Alto Comando Militar, que agora governa o país.

Não é exagero afirmar que o governo do Alto Comando Militar mantém uma relação democraticamente frágil e de extremismo velado com os jornalistas e com o sistema de Media a nível nacional.

O governo deveria utilizar melhor o Sistema de Media nacional, transformando-o numa espécie de lei de semeadura da democracia na esfera pública. O recurso ao drama, à intriga e ao espetáculo autoritário no espaço público torna a governação monstruosa e moralmente deficitária.

A relação do governo com o Sistema de Media nacional não deve consistir em criar quotas para o jornalismo. Se assim fosse, estaria a abrir portas para legitimar, no espaço mediático, políticas de corrupção na sua governação durante estes 12 meses.

Após consumar o golpe de Estado militar, não deveria haver nenhuma algazarra com o Sistema de Media e o jornalismo na Guiné-Bissau. Não houve, da parte do governo, a habilidade de transformar o sistema mediático nacional numa asa da liberdade capaz de voar no espaço público democrático, tanto nacional como internacional.

Transformou, assim, a sua política de governação numa simples côdea de pão autoritária, que tem beliscado de forma significativa o seu programa governativo.

O governo esqueceu-se de que a quantidade de informação de carácter autoritário pode produzir um efeito boomerang na sua atuação na esfera pública nacional.

O novo governo militar continua a demonstrar poucas habilidades no trato com a imprensa. Deveria saber apresentar de forma democrática as suas políticas de governação. Precisa de asas de liberdade para voar livremente no Sistema Mediático nacional e internacional.

O Sistema de Media nacional, por sua vez, não deve enterrar a cabeça na areia e limitar-se a gritar “viva o Alto Comando Militar”. Os Media são o sistema nervoso da resolução dos males da nossa sociedade democrática.

Por: Dr. António Nhaga

Diretor-Geral

E-mail: angloria.nhaga@gmail.com

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *