O presidente da Federação de Futebol da Guiné-Bissau (FFGB), Carlos Mendes Teixeira “Caíto”, apresentou hoje, 07 de janeiro, uma queixa-crime junto do Ministério Público (MP) contra o presidente de uma das alas da Liga Guineense dos Clubes de Futebol (LGCF), Dembo Sissé, que o acusou de gestão danosa dos fundos no organismo que dirige o futebol nacional.
A informação foi transmitida aos jornalistas pelo advogado do presidente do organismo, Rivaldo Cá, após apresentar a queixa-crime ao MP.
O advogado revelou que o processo apresentado à justiça inclui ainda o presidente da Mesa da Assembleia da LGCF, Justino Sá, que pertence à ala de Dembo Sissé.
”Obviamente que a queixa-crime que apresentamos é relativamente à denúncia feita por Dembo Sissé sobre a gestão danosa dos fundos pelo presidente da FFGB. Não é qualquer pessoa que emitiu juízo sobre este fato. Quando se fala de má gestão, temos que compreender que existe um cenário muito sensível, porque é um senhor que esteve interligado com todas as informações ligadas à gestão de futebol nacional”, disse.
Rivaldo Cá descreveu a atitude do presidente da FFGB como uma das oportunidades únicas que as pessoas terão e saber a verdade e acompanhar as provas que serão apresentadas sobre tais fatos perante a justiça e ilibar a sua pessoa. Mas ao contrário deste fato, será muito mais complicado para a sua pessoa, porque “todos nós, incluindo grupo de interesse de futebol e demais associações, estamos interessados para saber a verdade”.
Igualmente primeiro vice-presidente da FFGB, Cá lembrou que a acusação não veio de um internauta, mas sim de um antigo membro do Comité Executivo da FFGB e que “obviamente tem elementos suficientes para apresentar à justiça no sentido de desvendar todas as denúncias sobre a má gestão dos fundos pelo órgão ao longo de anos”.
”São pessoas com acesso ao Congresso da Federação e ao Comité Executivo da Federação. Por isso, têm elementos suficientes no sentido de ajudar definitivamente sobre a vida do presidente da FFGB, incluindo o próprio organismo”, acrescentou.
Numa conferência de imprensa no mês passado, em dezembro de 2025, Dembo Sissé, antigo aliado do atual presidente da FFGB, acusou Carlos Mendes Teixeira de fazer a má gestão dos fundos da FIFA ao longo dos anos e sem uma justificação plausível. Embora não tenha especificado e apresentado fatos que apontem para uma gestão danosa na FFGB, Sissé garantiu que o caso está a ser investigado pela Polícia Judiciária (PJ).
Para além das acusações sobre os fundos da FIFA, Sissé acusou ainda o presidente da instituição federativa nacional de ser responsável pela crise interna prevalecente na LGCF, que tem agora dois presidentes.
Confrontado pelo o Jornal O Democrata sobre ingerência da FFGB na crise interna da LGCF, Cá garantiu que não pode revelar os elementos materiais sobre o caso e ficará no segredo da justiça.
Dembo Sissé foi eleito presidente da LGCF em 2021, com apoio de Carlos Mendes Teixeira “Caíto” e logo a FFGB decidiu entregar a liga dos clubes a organização do Campeonato Nacional, através de um acordo rubricado por três anos entre as partes.
Após a reeleição de Dembo Sissé no final do mês de agosto, a comissão da governança da FFGB emitiu uma nota alegando que o processo eleitoral não foi transparente e pediu a realização do novo escrutínio.
Esta decisão da comissão da governança da FFGB aconteceu numa altura em que o presidente da liga dos clubes, Dembo Sissé, estava fora do país, concretamente na Europa, em contactos com os parceiros.
Num encontro com o seu homólogo de Portugal, Reinaldo Teixeira, Sissé apareceu juntamente com Adilé Sebastião “Cabi”, que foi expulso de futebol pelo atual órgão da FFGB.
Várias fontes ligadas à FFGB alegam que o presidente do órgão não gostou da presença de Cabi naquele encontro. Esta situação motivou a realização da nova eleição na LGCF, acabando por eleger Rui da Silva, como presidente.
Embora o processo esteja na instância judicial, a FFGB decidiu reconhecer e felicitar Rui da Silva pela sua eleição.
No jogo da Supertaça entre o Benfica e o Pelundo, foi visível a presença de Rui da Silva na companhia de Mendes Teixeira.
Por: Alison Cabral






















