A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) vai enviar uma missão de alto nível à Guiné-Bissau assim que a presidência timorense estiver plenamente operacional. A informação foi avançada pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Paulo Rangel, esta segunda-feira, 12 de janeiro de 2026, em Lisboa.
“Nós, esta semana, vamos receber aqui em Lisboa, seja a Comunidade seja o Governo português, Benvindo Freitas, ministro dos Negócios Estrangeiros de Timor-Leste, e obviamente conversaremos sobre isso”, revelou Rangel.
Libertação dos detidos é condição para diálogo
Em declarações à DW, o chefe da diplomacia portuguesa insistiu que a libertação de todos os detidos após o golpe militar é uma condição fundamental para qualquer avanço político na Guiné-Bissau.
“É essencial que o poder atualmente dominante em Bissau compreenda que é preciso dar essa mensagem aos países irmãos da CPLP e à comunidade internacional no seu todo. Organizações regionais como a CEDEAO e a União Africana também têm estado muito presentes nesse sentido. É fundamental que todos aqueles que foram presos na sequência do golpe possam ser libertados e estar em segurança”, sublinhou.
Segundo Rangel, só depois desse passo será possível iniciar um processo de diálogo com vista a uma transição política rápida. “A partir desse momento, julgo que nós podemos começar a dialogar no sentido de organizarmos um processo de transição, que também tem de ser extremamente rápido”, acrescentou.
O ministro falava no final de um encontro privado com a secretária executiva da CPLP, Maria de Fátima Jardim, e após uma reunião com os representantes permanentes dos Estados-membros junto da organização, sedeada em Lisboa.
Levantamento da suspensão da Guiné-Bissau da presidência da CPLP
Todos os Estados-membros desejam que a suspensão da Guiné-Bissau da presidência em exercício da CPLP seja levantada o mais rapidamente possível, assim que sejam ultrapassados os atuais obstáculos, afirmou Rangel.
“O povo da Guiné-Bissau e a Guiné-Bissau enquanto Estado são essenciais à CPLP. Tendo em conta que houve uma interrupção da normalidade político-constitucional, nos termos dos estatutos da CPLP teve de se decidir uma suspensão”, justificou.
O primeiro desses obstáculos, sublinhou, é a libertação de todos os detidos na sequência dos acontecimentos de 26 de novembro, entre os quais o líder do PAIGC, Domingos Simões Pereira.
“Nós vamos manter a nossa posição até que ele seja libertado. Sobre isso não há qualquer dúvida e nós não vamos desistir em caso nenhum”, prometeu.
O chefe da diplomacia portuguesa reiterou que “é fundamental retomar o processo de normalidade constitucional e democrática”, frisando ser esta a posição da CPLP, de outras organizações regionais e da comunidade internacional.
Por: redação:
O Democrata/ DW






















