Após meio século : GOVERNO INICIA DRAGAGEM DOS PORTOS DE BISSAU 

O Governo de Transição iniciou, esta quarta-feira, 21 de janeiro de 2026, os trabalhos de dragagem dos Portos de Bissau, com o financiamento do Banco Oeste Africano de Desenvolvimento (BOAD), mais de 54 anos após a última intervenção desse tipo, realizada pela administração portuguesa no período colonial.

A cerimónia de início das obras foi presidida pelo Primeiro‑ministro, Ilídio Vieira Té, e contou com a presença do ministro dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital, Florentino Mendes Pereira, do diretor‑geral da Administração dos Portos da Guiné‑Bissau (APGB), Félix Blute Nandungue, e do representante do BOAD, Issouf Touré.

De acordo com uma nota do Gabinete de Comunicação e Imprensa do Primeiro‑ministro, a última dragagem do Porto de Bissau e do respetivo canal de acesso ocorreu em 1972, antes da independência nacional, situação que contribuiu, ao longo de décadas, para dificuldades na navegação e para o aumento dos custos operacionais.

Estas obras, avaliadas em 15 mil milhões de francos CFA, resultam de uma cooperação técnica bilateral com Portugal, através do Instituto do Mar, com financiamento mobilizado junto do Banco Oeste Africano de Desenvolvimento. A execução está a cargo de um consórcio liderado pela empresa La Panafricaine de la Logistique de Bissau, que já mobilizou uma frota composta por quatro embarcações, nomeadamente a draga Delta Queen, uma barcaça, uma grua e um rebocador.

O calendário prevê a conclusão dos trabalhos num prazo aproximado de seis meses. Segundo a nota, entre os principais impactos esperados estão o aumento da capacidade de atracagem, permitindo a descarga simultânea de mais de um cargueiro, a redução do tempo médio de permanência dos navios no porto de cinco para dois dias, a eliminação dos tempos de espera e uma diminuição estrutural dos custos operacionais.

“Bissau depende do tráfego marítimo para assegurar as suas atividades comerciais” – Primeiro‑ministro

Ao presidir à cerimónia, o Primeiro‑ministro explicou que as obras de dragagem visam essencialmente melhorar as condições de navegação, facilitar a atracagem e permitir operações simultâneas de navios de grande porte.

“Bissau depende quase integralmente do tráfego marítimo para assegurar as suas atividades comerciais. O assoreamento do Rio Geba tem vindo a dificultar a navegação, encarecer as operações portuárias e penalizar a produtividade e a competitividade da economia nacional”, afirmou.

Ilídio Vieira Té sublinhou que o projeto de dragagem do Porto de Bissau não pode ser adiado, face às novas exigências do setor da navegação, lembrando que a última intervenção do género no porto remonta a 1972.

Por seu lado, o ministro dos Transportes, Telecomunicações e Economia Digital, Florentino Mendes Pereira, afirmou que o Porto de Bissau, enquanto motor do abastecimento da economia nacional, exige infraestruturas modernas para acompanhar a evolução da navegação mundial.

O governante destacou ainda que, além de sustentar a economia nacional, a modernização das infraestruturas portuárias gera emprego qualificado, impulsiona o desenvolvimento da região adjacente e promove o aumento da produção local.

Florentino Mendes Pereira assegurou que a dragagem constitui uma prioridade e um processo contínuo, sem o qual o país não poderá competir com outros portos da sub‑região.

“A empresa contratada para os trabalhos de dragagem tem larga experiência e capacidade técnica necessárias para executar a obra no prazo máximo de seis meses, com a projeção de se atingir uma profundidade que permita receber navios de maior porte”, afirmou.

O diretor‑geral da Administração dos Portos da Guiné‑Bissau, Félix Blute Nandungue, considerou que a dragagem do Porto de Bissau é um projeto há muito aguardado e representa um compromisso do Governo com a melhoria das infraestruturas e o impulso ao desenvolvimento económico.

“A dragagem dos Portos de Bissau é um passo crucial para o desenvolvimento económico e social da Guiné‑Bissau. A atual situação do porto não afeta apenas a economia local, mas também a competitividade do país a nível regional”, referiu.

Por sua vez, o representante do Banco Oeste Africano de Desenvolvimento, Issouf Touré, afirmou que o projeto financiado pelo BOAD é essencialmente técnico, salientando que os seus desafios são sobretudo humanos e económicos. Segundo explicou, a dragagem permitirá devolver ao Porto de Bissau a sua plena capacidade operacional.

Issouf Touré revelou ainda que o BOAD disponibilizou um financiamento global para a Guiné-Bissau no valor de 282 mil milhões de francos CFA, dos quais 123 mil milhões no setor das infraestruturas de transportes da Guiné‑Bissau.

Por: Jacimira Segunda Sia

Fotos : ministério dos transportes

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