No jubileu do seminário: IGREJA CATÓLICA PREOCUPADA COM A INSTABILIDADE POLÍTICA E POBREZA NA GUINÉ-BISSAU 

A Igreja Católica da Guiné-Bissau, através do Bispo da Diocese de Bafatá, Dom Victor Luís Quematcha, manifestou esta terça-feira, 27 de janeiro de 2026, a sua profunda preocupação face à instabilidade política, pobreza, violência, divisões e desconfianças que marcam a vida do país.

A preocupação foi expressa durante a homilia da missa que assinalou o Jubileu dos 25 anos do Seminário Maior Interdiocesano Dom Settimio Arturo Ferrazzetta, coincidindo também com os 27 anos da morte de Dom Settimio.

“Igreja Católica não fecha os olhos às feridas da nação”

Na sua comunicação, Dom Victor Luís Quematcha afirmou que muitas pessoas vivem hoje “cansadas, feridas e sem horizontes”, sublinhando que, mesmo neste contexto difícil, Deus continua a chamar o seu povo à confiança e à esperança.

“A nossa celebração acontece num contexto concreto marcado por fragilidades sociais, instabilidade política, pobreza, violência, divisões e desconfianças”, acrescentou.

O Prelado destacou que a Igreja da Guiné-Bissau é chamada a ser uma instituição próxima do povo e “que não fecha os olhos às feridas da nação, nem se deixa capturar por lógicas de poder ou interesses pessoais”.

“Esta celebração interpela profundamente que Igreja queremos ser e construir na Guiné-Bissau. Somos chamados a ser uma Igreja próxima, que não ignora as feridas do país”, reforçou.

Relativamente ao jubileu do Seminário Maior Interdiocesano, Dom Victor recordou o legado de Dom Settimio Arturo Ferrazzetta, sublinhando que este ensinou que o verdadeiro pastor “não foge das dificuldades, não se coloca acima do povo, mas caminha com ele, partilhando alegrias e sofrimentos”.

“O nome do nosso seminário recorda-nos a figura de Dom Settimio Arturo Ferrazzetta, pastor que marcou profundamente a história do nosso país e da nossa Igreja. Foi um bispo que amou este povo sem reservas e viveu com simplicidade, coragem e fidelidade ao Evangelho”, afirmou.

Aos seminaristas, Dom Victor Luís Quematcha exortou que sejam homens de fé, esperança e caridade, capazes de contribuir para a construção de uma Guiné-Bissau de paz, atuando como pontes e não muros, e sendo sinais de reconciliação e convivência pacífica.

“Sejam homens de fé, de esperança e de caridade. O nosso país precisa de paz; precisa de homens que sejam pontes, sinais de reconciliação e testemunhas credíveis do Evangelho”, sublinhou.

O Bispo recordou ainda que a Igreja vive um tempo jubilar significativo, com os 25 anos da Diocese de Bafatá e a preparação para os 50 anos da Diocese de Bissau, a celebrar no próximo ano.

“Estes marcos históricos convidam a Igreja não apenas a olhar para o passado com gratidão, mas a assumir com coragem e esperança os desafios do futuro”, afirmou.

Durante a celebração, os seminaristas prestaram homenagem ao Bispo Emérito Dom José Camnate Na Bissign, ao Bispo de Bafatá Dom Victor Luís Quematcha, ao primeiro reitor do Seminário Maior Interdiocesano e aos professores.

Por: Redação

O Democrata / Rádio Sol Mansi

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