A presidente do Sindicato de Jornalistas e Técnicos de Comunicação Social (SINJOTECS), Indira Correia Baldé, denunciou que, nos últimos anos, a segurança dos jornalistas no país tem sido ameaçada, constituindo uma preocupação crescente para a classe.
Segundo a dirigente sindical, essa situação levou o SINJOTECS, juntamente com outras organizações do setor, a adotar novas medidas destinadas a reforçar a proteção dos profissionais da comunicação social guineense.
Indira Correia Baldé, que falava esta quinta-feira, 29 de janeiro de 2026, durante a Reunião Estratégica do Comité Nacional para a Segurança dos Jornalistas, afirmou que a garantia da segurança dos profissionais é fundamental para o bom exercício da profissão.
O encontro, realizado em Bissau, integra-se no âmbito do projeto financiado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e visa apresentar o Guia Prático para a Disseminação de Informações relacionado com o Quadro Nacional para a Segurança dos Jornalistas.
A presidente do SINJOTECS informou que a reunião do Comité tem como objetivo discutir e identificar os pontos essenciais para acelerar o seu funcionamento.
“Temos feito muitas diligências, mas falta a ação da equipa. Tudo isso depende do endossamento do governo. Estamos há quase três anos nessa luta. Continuamos a trabalhar para ver se conseguiremos criar e pôr em funcionamento uma comissão”, afirmou.
Apesar dos constrangimentos, Indira Correia Baldé disse manter esperança de que ainda é possível concretizar este plano e, consequentemente, garantir a segurança dos jornalistas no país.
“Sem segurança, não podemos exercer o nosso trabalho. Não há jornalismo livre. Os profissionais não conseguem contribuir para a paz social e para o desenvolvimento da Guiné-Bissau”, sublinhou.
Por sua vez, o ministro da Comunicação Social, Abduramane Turé, comprometeu-se a trabalhar para reforçar o quadro legal e institucional de proteção aos jornalistas, promover o respeito mútuo entre profissionais e autoridades públicas e fortalecer as condições de segurança no setor.
Abduramane Turé afirmou que a segurança do jornalista não é apenas “um privilégio corporativo”, mas sim um pilar essencial da democracia, do Estado de direito e da boa governação.
“Onde os jornalistas trabalham com medo, a verdade é silenciada, a imprensa é intimidada e a sociedade perde o direito à informação. Também é verdade que, quando a liberdade se confunde com libertinagem, instala-se a desordem, o que é inaceitável num Estado de direito democrático”, destacou.
O ministro reconheceu que persistem desafios no setor, uma vez que “o exercício da profissão na Guiné-Bissau continua marcado por pressões”.
Defendeu, por isso, que a reunião do Comité assuma um carácter decisivo na avaliação, coordenação e fortalecimento de ações concretas que garantam um ambiente mais seguro e digno aos profissionais da comunicação social.
Abduramane Turé sustentou ainda que a Comissão do Comité Nacional para a Segurança dos Jornalistas deve controlar “a produção deliberada de falsas informações”, servir como instrumento de diálogo entre instituições e ser um elo de ligação entre o governo, os órgãos de comunicação social, as organizações profissionais e os parceiros internacionais.

“Não deve distanciar-se da sua missão de prevenir a violência contra os jornalistas, promover mecanismos de proteção eficazes e combater a impunidade sempre que houver violações”, concluiu.
Por: Jacimira Segunda Sia





















