Carnaval 2026: VENDEDORAS PEDEM AGILIDADE DA CÂMARA NA REMOÇÃO DE LIXO E REFORÇO DA SEGURANÇA NAS BARRACAS

As mulheres vendedoras instaladas nas barracas do Carnaval apelaram à Câmara Municipal de Bissau (CMB) maior agilidade na remoção diária do lixo e o reforço do efetivo das forças de segurança para garantir a proteção das vendedoras e dos utentes que frequentam o Espaço Verde, no Bairro d’Ajuda.

“No decorrer do Carnaval, vamos precisar de um número significativo de polícias para manter a segurança das bideiras e dos clientes. A presença de agentes fardados em lugares como este é importante. Há pessoas que, quando ficam bêbadas, criam confusões. Se tivermos uma presença reforçada da polícia, poderemos evitar muitas situações desagradáveis”, afirmou Jucelina Malaca Oliveira, responsável das mulheres vendedoras das barracas no Espaço Verde.

A responsável apelou igualmente a uma colaboração estreita dos agentes do serviço de saneamento da CMB para assegurar a remoção diária dos resíduos.

“AMBIENTE DE NEGÓCIOS NO CARNAVAL ANTERIOR FOI PÉSSIMO” – VENDEDORAS

Em entrevista ao jornal O Democrata, Jucelina Malaca Oliveira alertou que serão necessários pelo menos 100 agentes policiais para garantir a segurança no local. Segundo disse, estão a diligenciar junto do Ministério do Interior para solicitar o envio de efetivos para assegurar a tranquilidade nas barracas.

A representante das vendedoras recordou que, no Carnaval de 2025, o ambiente de negócios foi dos piores já registados.

Explicou que, no ano passado, as vendedoras não trabalharam no Espaço Verde devido ao anúncio da Câmara Municipal sobre o início das obras de requalificação do local. Com isso, algumas instalaram-se nas imediações do 3 de Agosto (antigo hospital militar) e outras na zona da Califórnia, no Bairro d’Ajuda, primeira fase.

Segundo relatou, as que optaram pela Califórnia praticamente não tiveram rendimento, devido ao fraco movimento e à distância em relação às zonas de maior circulação.

“Em 2024, a situação era diferente. Tínhamos os quiosques em boas condições e havia muita clientela. Este ano, não sabemos por que razão a CMB ainda não iniciou a limpeza das barracas. A rotina sempre foi: nós varremos e a Câmara remove o lixo para o vazadouro”, explicou, detalhando que cada proprietária pagou 25.000 francos CFA para ter acesso ao espaço, valor que lhes garante isenção de pagamentos diários à CMB até ao dia 20 de fevereiro.

VENDEDORAS PEDEM AUMENTO DE CASAS DE BANHOANTES DO CARNAVAL

Para o Carnaval deste ano, as vendedoras esperam melhores condições de trabalho e um ambiente de negócio favorável.

“Estamos a ter sinais encorajadores, porque já se nota fluxo de pessoas nas barracas, mesmo antes do Carnaval”, afirmou.

Jucelina defendeu que o Espaço Verde é estratégico por estar próximo da avenida principal, o que facilita a atração de clientes. Contudo, revelou que nem todas as mulheres inscritas dispõem de quiosques fixos, pelo que a CMB está a ceder espaços para a construção de barracas provisórias, obrigando as interessadas a adquirir “kirintis” para a montagem.

No que toca às condições sanitárias, afirmou que existe apenas uma casa de banho para todas as barracas. O custo é de 100 francos CFA para banho e 50 francos CFA para utilização simples.

“Esperamos que a Câmara crie melhores condições de trabalho, reforce a higiene e coloque contentores de lixo no terreno”, advertiu.

Contrariando declarações do diretor de saneamento, Jucelina considerou que a responsabilidade pela instalação de casas de banho é da Câmara Municipal de Bissau, desafiando a edilidade a aumentar o número de sanitários, uma vez que o único disponível é insuficiente.

Ainda assim, destacou como ponto positivo a instalação de um posto avançado de segurança, sublinhando que até ao momento não se registaram furtos.

“Vendemos até às três da madrugada por causa do movimento. Depois, os seguranças assumem o trabalho”, disse.

A responsável apelou à união entre as vendedoras, frisando que só com colaboração poderão alcançar os seus objetivos. Alertou ainda que, caso as obras avancem no dia 20, muitas mulheres ficarão sem alternativa de sustento.

“Grande parte das mulheres que vendem aqui sustenta as suas famílias e paga a escola dos filhos. Se sairmos no dia 20, não teremos outro espaço para vender, o que vai comprometer o bem-estar de muitas famílias”, lamentou.

Contactado pelo O Democrata, o diretor do Serviço de Saneamento, Proteção Civil e Meio Ambiente da CMB, João Intchama, garantiu que o serviço está em contacto permanente com a direção camarária para assegurar a limpeza da cidade e criar condições higiénicas adequadas nas barracas.

Intchama sublinhou que a limpeza da Zona Verde não é responsabilidade exclusiva da Câmara, mas também dos utentes.

“CÂMARA CRIA COMISSÃO PARA A LIMPEZA DE BARRACAS NA ZONA DE ESPAÇO VERDE” – SANEAMENTO

“O espaço pertence à Câmara, mas é de utilidade pública. A responsabilidade é partilhada. A colaboração dos utentes será fundamental não só nos quatro dias de Carnaval, mas também para a saúde pública”, afirmou.

Informou que foi criada uma comissão de supervisão para acompanhar as condições ambientais nas barracas e que esta trabalhará em articulação com a Comissão Organizadora do Carnaval, sobretudo no que se refere à remoção de lixo durante os quatro dias festivos, período em que se prevê maior produção de resíduos.

O responsável assegurou ainda que as barracas já dispõem de eletrificação fornecida pela EAGB, contando com uma central de apoio para eventuais interrupções. Segundo disse, a CMB colocará contentores de lixo na Zona Verde e está em diálogo com a comissão organizadora, tutelada pelo Ministério da Cultura e Desportos, para avaliar a possibilidade de aumentar o número de casas de banho.

Por: Natcha Mário M’bundé

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