O Médico clínico geral do Centro de Saúde Mental de Enterramento, Mário Iamta, alertou as autoridades nacionais sobre a necessidade de adotar medidas concretas e eficazes para combater o uso e consumo de drogas no país e particularmente no seio da juventude, porque, caso contrário, a Guiné-Bissau poderá ter uma sociedade frustrada e colapsada, “onde os mais jovens e adolescentes estarão em risco de vida”.
Apontou a saúde mental como o bem primário do homem, por não existir nada mais importante do que a saúde mental.
“Uma pessoa pode ter diabetes e VIH/SIDA ou outra doença, mas consegue trabalhar, mas se tiver problema mental, torna-se praticamente um ser desnorteado e sem lucidez. Com perturbação pode parar na rua ou no lixo e aí torna-se menos válido para a sociedade”, alertou.
“CENTRO TRABALHA MUITO NA RECUPERAÇÃO DE JOVENS E ADOLESCENTES COM PROBLEMAS MENTAIS”

Em entrevista ao jornal o Democrata para falar do nível de uso e consumo de drogas e as consequências que essa prática tem na saúde mental, Mário Iamta disse que a saúde mental deve merecer “a nossa primeira atenção e preocupação”.
“A saúde mental deve merecer a nossa primeira atenção. Tudo que possa parecer importante, a saúde mental sempre vem em primeiro lugar. Se Deus é importante e conseguimos adorá-lo, é porque gozamos de boa faculdade mental”, afirmou.
Segundo o médico clínico geral e especialista em saúde mental, os efeitos do uso de drogas começam a ser sentidos a nível pessoal, com desenvolvimento de quadros de depressão, nomeadamente ansiedade, psicose, interrupção da memória e falta de atenção. Ao nível familiar, tendo já problema mental, o doente entra noutra fase de crise, começa a espancar os membros da própria família, faz roubos em casa, abuso doméstico e ao nível social, envolve-se em gritos de socorro, porque entra na sociedade com assaltos de outro nível, assaltos a mão armada.
Apesar das precariedades que o centro enfrenta, Mário Iamta afirmou que têm trabalhado e recuperado jovens e adolescentes com problemas mentais. Aqueles que têm problemas devido ao uso de drogas também são recuperados sem problemas.
“Muitos jovens e adolescentes cometem danos em casa, mas quando chegam ao centro a primeira coisa que fazemos é a sedação com alguns medicamentos que têm códigos. O centro tem um tratamento que talvez seja desconhecido, não consta dos livros. É uma fórmula que só circula no centro. Passamos medicamentos endovenosos EV nas veias para acalmar a força da pessoa com problemas mentais. Apenas em um minuto a pessoa fica sedada e vai dormir. Depois costumamos fazer sedação de três dias, onde o paciente vai tomar a primeira dose, a segunda e a terceira. Depois de três dias, recupera a memória e fica mais calma e começa a fazer tratamento via oral, medicação regular, controlo mensal para reestruturar a mente do paciente”, explicou.
Afirmou que não conseguem internar pessoas com problemas mentais no centro, devido à falta de condições.
Mário Iamta defendeu, neste particular, que o Estado deve fazer um investimento urgente para que o centro possa ter condições de internar pacientes.
De acordo com o médico psiquiátrico, para acabar com a prática de uso e consumo de drogas entre jovens e adolescentes, será necessário integrar a saúde mental na saúde primária, pois é a base para controlar a entrada de drogas no país.
“Deve existir uma educação cívica nas escolas, dar palestras, criar movimentos contra o uso e o consumo de drogas, envolvendo igrejas, mesquitas e as rádios têm que ter um espaço para o grito de socorro e difundir informações de sensibilização sobre o perigo de uso e consumo de drogas numa sociedade tão vulnerável como a nossa”, sublinhou.
No seu entendimento, o não uso e consumo de drogas leva a população a ter consciência crítica de danos que as drogas causam na vida de uma pessoa e numa sociedade. Por isso “deve haver um profundo investimento na saúde mental”.
Denunciou que à noite, jovens e adolescentes usam drogas nas esquinas, nas escolas, nos concertos e nos eventos recreativos, razão pela qual devem ser vigiadospelas autoridades competentes, por ser uns dos momentos isolados que aproveitam o espaço e fazem de tudo para vender e consumir drogas.
Mário Iamta assegurou que nunca receberam apoio do governo para os trabalhos internos no centro, apenas são suportados pelas ONGs que lhes ajudam para satisfazer as suas necessidades e desenvolver as suas atividades.
Por: Natcha Mário M’bundé






















