O vice‑presidente da Academia Fidjus di Bideras, Tony Burgo, pediu esta quarta‑feira a demissão em bloco da atual direção da Federação de Futebol da Guiné‑Bissau (FFGB), liderada por Carlos Mendes Teixeira, conhecido como Caíto, acusando a equipa dirigente de incapacidade, falta de progresso e ausência de desenvolvimento do futebol nacional desde que assumiu funções, em setembro de 2020.
“Para ser franco, no início acreditei na atual liderança da federação, achando que poderia fazer alguma coisa, apesar das minhas reservas em relação a alguns elementos que compõem o órgão. Mas, neste momento, estou completamente desacreditado na capacidade desta direção para organizar o futebol nacional e projetar o futuro da modalidade. Estes são os meus sentimentos sobre a gestão atual”, afirmou.
Segundo Burgo, a atual direção deveria reconhecer as suas limitações e abrir espaço a uma nova liderança.
“Devem dar a mão à palmatória, assumir que não têm capacidade para fazer melhor e pedir a demissão em bloco, permitindo que outros dirigentes tentem dar uma nova dinâmica à federação. Já são dois mandatos e não vimos desenvolvimento, não vimos progresso, vimos apenas retrocesso”, declarou.
As declarações foram feitas durante uma conferência de imprensa promovida por um grupo de dirigentes desportivos, amantes do futebol e antigos jogadores nacionais, realizada na sede do Sporting Clube da Guiné‑Bissau. O encontro serviu para abordar o atual contexto do futebol nacional, incluindo denúncias de má gestão financeira na FFGB, a não realização dos campeonatos nacionais de formação, bem como os atrasos no arranque do Campeonato Nacional da Segunda Divisão e do futebol feminino.
Embora reconheça que Carlos Mendes Teixeira foi reeleito em 2024, no Congresso Eletivo da FFGB, Burgo afirmou que muitos clubes não demonstram real interesse no desenvolvimento do futebol, alegando que alguns dirigentes são subornados para apoiar os interesses da atual liderança federativa.
“Sou crítico e muitas vezes sou mal interpretado, mas não tenho maldade contra ninguém. Quero apenas que se faça o que é correto. Chegou a um ponto em que algumas pessoas deixaram de falar comigo porque recusei receber subornos”, afirmou.
Com vários anos de ligação ao futebol nacional, Tony Burgo considera que existem personalidades com capacidade e experiência para assumir a liderança da federação e imprimir uma nova dinâmica à modalidade. Entre os nomes citados estão Adilé Sebastião “Caby”, antigo vice‑presidente da FFGB; Fernando Tavares “Bene”, antigo candidato à presidência da federação; e o jornalista e comentador desportivo Benelívio Cabral Nancassa Insali.
“Temos várias pessoas capazes de liderar a federação. São pessoas com ambição de desenvolver o nosso futebol e que já deram provas do seu trabalho nos clubes por onde passaram”, reforçou.
Durante a sua intervenção, na presença de várias figuras do desporto nacional, entre as quais Dembo Sissé, Burgo abordou também a situação do futebol feminino e do futebol de formação, manifestando profunda preocupação.
Segundo afirmou, é inadmissível que a Guiné‑Bissau esteja há mais de quatro anos sem campeonatos de formação, considerando que estes são a base da Seleção Nacional, os Djurtus.
“As consequências são claras: não conseguimos formar jogadores locais e somos obrigados a recorrer quase exclusivamente à diáspora. Era fundamental termos uma base sólida da seleção nacional no próprio país”, explicou.
Relativamente ao futebol feminino, Burgo defendeu que tanto a FFGB como o Executivo demonstram falta de interesse na promoção e desenvolvimento da modalidade. Ainda assim, destacou o papel das academias de futebol, que, segundo ele, têm sido decisivas para a evolução do futebol feminino nos últimos anos.
Na mesma ocasião, o porta‑voz do grupo denunciante, Saibana Baldé, acusou a direção da FFGB de corrupção e falta de transparência na gestão dos fundos financeiros. Baldé revelou que a FIFA já notificou a federação sobre a utilização dos fundos recebidos nos últimos anos.
Segundo explicou, está igualmente em curso uma recolha de assinaturas de presidentes de clubes para apoiar uma moção de confiança ao atual presidente da FFGB, processo que, segundo denunciou, está a ser feito de forma irregular, uma vez que nem sempre são os próprios presidentes a assinar os documentos.
Importa referir que o jornal O Democrata tentou, por diversas vezes, ouvir a reação da atual liderança da FFGB, sem sucesso.
De acordo com informações apuradas pelo jornal, uma missiva formal contendo as denúncias já foi entregue à FIFA, solicitando a sua intervenção e acompanhamento urgente da situação na FFGB. Nesse contexto, é expectável que uma missão da FIFA chegue brevemente a Bissau para avaliar a situação interna da federação.
Por: Alison Cabral





















