A Guiné-Bissau encontra-se hoje, se quiser, em condições de ultrapassar as frequentes instabilidades políticas partidárias que os processos eleitorais de exclusão têm produzido no país. O país necessita de processos eleitorais inclusivos. Todos os cidadãos, em particular os jovens, têm o direito e a obrigação de conhecer o novo rumo que os actuais governantes militares golpistas pretendem imprimir ao país.
A juventude, enquanto força motriz do desenvolvimento nacional, não deve ser mera observadora da actuação dos partidos políticos. A maioria dos partidos políticos nacionais assenta numa base étnica, linguística e cultural. Assim, quando um processo eleitoral exclui um partido político, não é apenas uma organização partidária que está a ser afastada, mas sim um grupo social, etnolinguístico e cultural.
Na actual conjuntura de instabilidade política da Guiné-Bissau, torna-se essencial possuir o cartão de um partido político para ascender na vida económica e social, ou ainda depender da raça e do sexo da pessoa. Não é necessária uma análise profunda dos indicadores conjunturais para constatar o quadro real de instabilidade política que o país enfrenta.
Nenhum líder dos partidos políticos nacionais demonstrou preocupação consistente com a análise dos indicadores da conjuntura eleitoral que revelariam o cenário de instabilidade política em que o país se encontra actualmente. A análise desses indicadores poderia fornecer, sem dúvida, um quadro geoestratégico e geopolítico adequado à mediação e à mediatização da democracia multipartidária na Guiné-Bissau.
É fundamental compreender e saber avaliar os actuais indicadores conjunturais da instabilidade política, a fim de se estabelecer a sua mediação e mediatização no quadro da democracia multipartidária nacional. A análise da actual conjuntura democrática, marcada por um verosímil golpe de Estado, torna cada vez mais difícil a reorganização da ordem democrática multipartidária na Guiné-Bissau.
O processo de mediação e de mediatização da constante conjuntura de instabilidade política partidária somente será alcançado mediante a reorganização da ordem política e democrática nacional. Para atingir esse objectivo, é necessário identificar os actores políticos e os oficiais militares envolvidos na instabilidade política, o que permitirá uma leitura mais ampla e realista da nossa realidade democrática.
Com uma verdadeira mediação e mediatização da democracia nacional, será possível construir um imaginário colectivo democrático no país, favorecendo a reorganização da ordem política e da democracia multipartidária. Surgirão diversos indicadores de conjuntura democrática, com múltiplas variáveis capazes de se exprimirem de forma livre e transparente.
Os indicadores do processo de mediação e mediatização da democracia multipartidária fornecerão ao nosso país um quadro de política democrática estável. Todos os cidadãos passarão a conhecer melhor os sintomas que impedem a evolução da democracia no nosso contexto político e que propiciam sucessivos golpes de Estado, conduzindo generais militares golpistas ao poder.
Os golpistas militares não têm sido, nem nunca foram, devidamente diagnosticados no âmbito da mediação e da mediatização da democracia multipartidária nacional. Se tal diagnóstico existisse, seria hoje impossível, na Guiné-Bissau, assistir a processos eleitorais de exclusão e à ameaça permanente de golpes de Estado militares.
O processo de mediação e mediatização da democracia multipartidária poderia constituir um instrumento eficaz para levar os líderes dos partidos políticos e os oficiais militares golpistas a renunciar à tomada do poder pela via do golpe de Estado, bem como à revisão da Constituição da República sem deputados eleitos e fora da matriz constitucional.
A mediação e a mediatização da actual conjuntura de instabilidade política do país devem orientar a actuação dos líderes partidários e dos generais militares golpistas, de modo a evitar um profundo divórcio entre o jornalismo e a democracia na esfera pública nacional.
A mediação e a mediatização da instabilidade política aproximarão os líderes dos partidos políticos e os generais militares golpistas da democracia multipartidária, aumentando a eficiência e a eficácia da consciência política desses actores, no sentido de abandonarem a conspiração permanente que visa manter a instabilidade política que ainda reina no país.
A mediação e a mediatização constituem universos amplos de recolha, interpretação e intervenção livre dos cidadãos na realidade política nacional. Ambos são instrumentos fundamentais de prestação de contas do governo ao povo da Guiné-Bissau.
Por: Dr. António Nhaga
Director-Geral
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