O Subinspetor da Polícia Judiciária, Domingos Etiene Gomes, anunciou esta terça-feira, 30 de março de 2026, a detenção de dois cidadãos — uma guineense e um sueca — acusados de realizar tratamentos de VIH/SIDA sem qualquer autorização oficial.
Segundo o subinspetor, os suspeitos promoviam nas redes sociais supostos tratamentos contra o vírus, cobrando 100.000 XOF aos pacientes nacionais e entre 10 a 18 milhões XOF aos estrangeiros, com uma duração máxima alegada de quatro semanas.
Durante as investigações, a PJ constatou que o casal não possuía qualquer documento que os habilitasse a exercer práticas médicas, nem junto da Associação de Curandeiros Tradicionais, nem do Ministério da Saúde, nem da Inspeção-Geral da Saúde.
Domingos Etiene classificou a conduta dos detidos como atentado contra a saúde pública e usurpação de funções.
Os dois residiam no bairro de Bor e afirmaram trabalhar no setor da saúde há quatro anos, sem possuir autorização para tal. Disseram ainda ter recebido permissão do ex-ministro da Saúde Pública, Domingos Malú, mas o subinspetor esclareceu que não existe qualquer autorização válida ou certificado que comprove a competência alegada.
O casal tentou estabelecer uma parceria com o Hospital Raul Follereau, mas o acordo não foi firmado, uma vez que o tratamento da doença é gratuito e a proposta apresentada não atendia aos objetivos institucionais.
Quanto ao número de pacientes atendidos, o subinspetor afirmou que ainda não existem dados concretos. A investigação continuará sob coordenação do Ministério Público, que irá ouvir testemunhas e verificar as condições em que os tratamentos eram realizados.
Os detidos foram apresentados hoje ao Ministério Público. A PJ está também em contacto com a SOS para acolher os filhos do casal, já que a pessoa responsável pelos cuidados não reúne condições para mantê-los.
Domingos Etiene destacou ainda que a residência usada como local de tratamento não dispõe de sala de internamento e que os procedimentos eram realizados dentro da própria casa. Os tratamentos alegadamente utilizavam medicamentos tradicionais, cuja composição e autenticidade serão avaliadas no decorrer da investigação.
Por: Tiago Sede


















