PRESIDENTE DA LGDH DEFENDE DIÁLOGO PARA SUPERAR CRISES E FORTALECER DEMOCRACIA 

O Presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos, Bubacar Turé, exortou esta segunda‑feira, 30 de março de 2026, todos os atores nacionais a colocarem, com urgência, o diálogo construtivo, franco e inclusivo no centro da agenda política, como o único caminho capaz de ultrapassar desencontros, forjar consensos duradouros e abrir horizontes para uma governabilidade estável, para a paz social e para a resolução progressiva e sustentável dos problemas que desafiam a Guiné‑Bissau.

Bubacar Turé falava à margem da cerimónia de abertura da Conferência Internacional que decorre durante dois dias na Casa dos Direitos, subordinada ao tema “Diálogo por um Futuro com Justiça, Direitos Humanos e Democracia na África Ocidental”, no âmbito do projeto “Direitos Humanos em Risco na Guiné‑Bissau”, financiado pela Cooperação Portuguesa e implementado pela ACEP e pela Liga Guineense dos Direitos Humanos.

Na ocasião, Turé informou que, durante o encontro, os participantes irão refletir e debater para construir caminhos comuns em torno de temas como democracia e crises pós‑eleitorais, espaço cívico e liberdade de imprensa, proteção dos defensores dos direitos humanos, transparência e prestação de contas, participação cidadã, independência judicial, combate à impunidade e estabilidade constitucional em contextos de crise política.

O ativista destacou, no seu discurso, que se assiste à instrumentalização da justiça para fins políticos — prática que, segundo afirmou, fragiliza a separação de poderes, mina a confiança nas instituições e compromete seriamente a proteção dos direitos humanos.

Acrescentou ainda que o encontro não constitui um momento isolado, mas sim o culminar de um percurso consistente, estruturado e orientado para o reforço da promoção, proteção e monitorização dos direitos humanos no país.

Para Bubacar Turé, a democracia enfrenta desafios profundos e complexos, marcados pelo crescimento de regimes autoritários, pelo enfraquecimento das instituições democráticas, pela redução do espaço cívico e, em vários contextos, pela erosão dos princípios constitucionais.

De acordo com o ativista social, no final dos trabalhos será apresentado o Relatório sobre a Situação dos Direitos Humanos na Guiné‑Bissau (2023‑2025), um documento rigoroso que, segundo referiu, desafia a sociedade a olhar com lucidez e responsabilidade para a realidade do país.

Por: Carolina Djeme

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