PROFESSORES CONTRATADOS AMEAÇAM NÃO RETOMAR AULAS APÓS A PÁSCOA

A Coordenação Nacional dos Professores Contratados dos períodos 2020/2021, 2023/2024 e 2025/2026 ameaçou paralisar o setor da educação após as férias da Páscoa caso o governo não proceda à sua efetivação na Função Pública, bem como ao pagamento dos três meses de salários em atraso do primeiro grupo e quatro meses do segundo grupo.

A ameaça foi tornada pública nesta terça-feira, 31 de março de 2026, durante uma conferência de imprensa conduzida pelo porta-voz da Coordenação Nacional dos Professores Contratados, Hornine Nanque.

Durante a conferência, o porta-voz exigiu a emissão de um documento comprovativo que ateste a integração dos professores na Função Pública e o pagamento dos salários em atraso como condição indispensável para o regresso às salas de aula após as férias da Páscoa.

Hornine Nanque denunciou ainda que os professores contratados têm trabalhado durante um ano letivo sem receber os seus vencimentos e enfrentando condições de trabalho precárias, sobretudo nas tabancas onde estão colocados.

Face a esta situação, apelou à união e colaboração de todos os professores contratados para reivindicarem os seus direitos.

O porta-voz responsabilizou o primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, pelas eventuais consequências das paralisações no setor da educação, alegando que o governante acompanha o processo há vários anos e, em diversos encontros com o grupo, teria assumido o compromisso de resolver o problema.

“Porque neste momento as crianças estão de férias e vão para a apanha da castanha de caju. Se souberem que os professores não vão voltar às salas depois das férias da Páscoa, certamente não voltarão também”, afirmou.

Nanque garantiu igualmente que o grupo pretende realizar uma vigília em frente aos Ministérios da Educação, das Finanças e, posteriormente, da Função Pública para exigir o pagamento dos salários e a melhoria das condições de trabalho.

Embora tenha manifestado abertura para o diálogo, destacou que as negociações devem produzir resultados concretos, deixando claro que o grupo não aceitará o pagamento de apenas um mês.

O porta-voz anunciou ainda que pretende mover uma queixa-crime contra o Estado da Guiné-Bissau na Organização Internacional do Trabalho (OIT) e enviar cartas às organizações que apoiam o setor da educação, como a PLAN, a UNICEF, entre outras.

Por: Carolina Djemé

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