Morte de Vigário Balanta: LIGA AFIRMA QUE EXERCÍCIO DE DIREITOS NA GUINÉ-BISSAU TORNOU-SE UM “RISCO EXTREMO”

O presidente da Liga Guineense dos Direitos Humanos (LGDH), Bubacar Turé, afirmou que “a execução sumária” de Vigário Luís Balanta não representa apenas um crime grave, mas constitui também um sinal “profundamente inquietante” de que, na Guiné‑Bissau, o exercício de direitos fundamentais pode transformar-se num “ato de risco extremo”.

A reação de Bubacar Turé à morte do ativista foi registada esta terça‑feira, 31 de março de 2026, durante o lançamento do relatório sobre a situação dos Direitos Humanos na Guiné‑Bissau referente ao período 2023-2025.

O presidente da LGDH afirmou ainda que, se o país continuar a registar execuções sumárias de cidadãos, não estará apenas em causa a perda de vidas individuais, mas sim a própria essência da dignidade humana e do Estado de direito democrático.

“Este facto não pode ser aceite nem tratado como normal, relativizado ou ficar sem respostas. A Liga dos Direitos Humanos condena de forma firme e inequívoca este assassinato e apela às autoridades nacionais que atuem com urgência, seriedade e responsabilizem os autores de acordo com a gravidade do crime”, declarou.

Bubacar Turé confirmou que o corpo encontrado nos arredores do setor de Nhacra “corresponde tragicamente” ao ativista Vigário Luís Balanta.

Visivelmente emocionado, com lágrimas nos olhos e voz trémula, Turé afirmou que aquele momento não representava apenas a apresentação de um relatório da Liga, mas a evocação de “uma vida interrompida, uma família devastada e um país confrontado com a perda de um dos seus cidadãos”.

O corpo de Vigário Luís Balanta foi encontrado sem vida em Ndame Lero, setor de Nhacra, em circunstâncias ainda não esclarecidas. Terá sido descoberto pela população numa das bolanhas da localidade.

As equipas policiais e legistas destacadas para as primeiras diligências no local informaram ter retirado do corpo duas balas de AK‑47.

As autoridades policiais confirmaram igualmente que o corpo apresentava sinais de violência, com ferimentos na garganta e nos pés, provavelmente provocados por arma branca.

Estes indícios levaram as autoridades a presumirem que a vítima possa ter sido sujeita a agressões físicas antes de ser arrastada até ao local onde foi encontrada.

No dia 17 de março, o ex‑secretário‑geral do Movimento Cívico Revolucionário “Pó de Terra”, Vigário Luís Balanta, havia apelado às autoridades nacionais para que pusessem fim às perseguições políticas no país.

Por: Filomeno Sambú

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