O Movimento Nacional da Sociedade Civil defendeu a realização de eleições inclusivas e a implementação do recenseamento eleitoral de raiz, como forma de reduzir o elevado número de abstenções, à semelhança do que se verificou nas últimas eleições gerais.
A posição foi tornada pública esta quarta‑feira, 15 de abril de 2026, pelo presidente do movimento, Fode Caramba Sanhá, à saída de uma audiência concedida pelo ministro da Administração Territorial e do Poder Local, Carlos Nelson Sanó. Na ocasião, o dirigente transmitiu a preocupação da organização quanto ao cumprimento dos prazos e cronogramas para a realização das eleições gerais, agendadas para 6 de dezembro do corrente ano.
Em declarações aos jornalistas, Fode Caramba Sanhá afirmou que a sua organização defende um processo eleitoral inclusivo e transparente, sustentado pelo recenseamento de raiz, de modo a evitar elevados índices de abstenção. Recordou que, muitas vezes, “o sistema inclui pessoas que já não se encontram entre nós”, sublinhando que tal situação contribuiu para o aumento da abstenção nas últimas eleições, “porque os nomes constam dos cadernos eleitorais, mas essas pessoas já não existem”.
“Preferimos o recenseamento de raiz por garantir maior inclusão e transparência no processo eleitoral. No entanto, a decisão cabe ao Governo, tendo em conta o cronograma eleitoral, já que as eleições estão marcadas para 6 de dezembro. Se houver condições para realizar o recenseamento de raiz, será a opção mais adequada e realista para todos”, disse o ativista social, reafirmando o desejo da sua organização de ver as eleições realizadas na data prevista.
Questionado sobre a aprovação, pelo Conselho Nacional de Transição (CNT), de uma lei que fixa em 50 milhões de francos CFA o valor da caução para a candidatura às eleições presidenciais, Sanhá — que também é vice‑presidente do CNT — afirmou que cada país tem as suas realidades próprias e que não se devem copiar decisões de outros Estados.
Acrescentou que a aprovação da referida lei resulta da necessidade de regulamentar o processo eleitoral, justificando que “há muitos partidos políticos sazonais, que aparecem com símbolos nos boletins de voto e, após as eleições, desaparecem. Alguns nem dispõem de uma sede”. Apesar disso, frisou que a decisão do CNT não tem como objetivo impedir ninguém de concorrer às eleições.
Por sua vez, o ministro da Administração Territorial e do Poder Local, Carlos Nelson Sanó, garantiu que o Governo está a trabalhar para a realização das eleições gerais no dia 6 de dezembro. Informou ainda que os trabalhos preparatórios já estão em curso e que o Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE) está a elaborar propostas, de acordo com objetivos concretos, “considerando as opções do recenseamento de raiz ou da atualização dos dados do caderno eleitoral, bem como os respetivos orçamentos”.
Segundo o governante, essas são as alternativas atualmente em análise pelas autoridades competentes.
“Estamos a acompanhar a Comissão Nacional de Eleições, que precisa de recuperar a sua capacidade operacional, atendendo aos problemas do passado, que a deixaram sem instrumentos de trabalho”, afirmou, acrescentando que a reestruturação e o apetrechamento da CNE são responsabilidades do Governo, no quadro do cumprimento do decreto presidencial que fixa a data das eleições gerais.
Por: Jacimira Segunda Sia





















