A Rede Nacional das Associações Juvenis (RENAJ) manifestou preocupação face ao aumento do consumo de substâncias psicoativas entre jovens na Guiné-Bissau. O alerta foi feito pelo presidente da organização, Adulai Djaura, que apontou o desemprego, a falta de espaços de lazer e o estresse como principais causas do fenómeno, defendendo a adoção de medidas preventivas e o reforço das políticas públicas para travar o problema.
Em entrevista ao Boletim Informativo do Observatório Guineense de Drogas e Toxicodependência (OGDT), retomada nesta edição do semanário O Democrata, o líder da RENAJ analisou as causas, consequências e propostas para enfrentar o consumo e o tráfico de drogas, uma ameaça crescente à saúde mental e ao futuro da juventude guineense.
Segundo Adulai Djaura, o aumento do consumo de drogas no país está diretamente relacionado com a ausência de oportunidades de emprego para os jovens e com a carência de espaços de lazer e de convívio saudável.
“PODER ECONÓMICO DO TRÁFICO DE DROGAS ATRAI JOVENS COM PROMESSAS DE LUCRO RÁPIDO”
“Os jovens precisam de um ambiente de relaxamento e interação social. Quando isso não acontece, muitos procuram nas drogas uma forma de escape”, afirmou.
O dirigente juvenil destacou ainda que o excesso de estresse, aliado à falsa ideia de que as drogas funcionam como o vinho ou o cigarro — supostamente aliviando o sofrimento —, acaba por agravar o problema.
“Há quem pense que o consumo é uma forma de lidar com a pressão e com os desafios do dia a dia. Essa mentalidade precisa de ser combatida com educação e sensibilização”, advertiu, chamando atenção para o poder económico do tráfico de drogas, que seduz jovens com promessas de enriquecimento rápido.
“O espírito de admiração pelo sucesso financeiro leva muitos a conhecer e, posteriormente, a consumir ou a comercializar drogas, alimentando um ciclo extremamente perigoso”, lamentou.
Enquanto organização juvenil, salientou que a RENAJ tem desenvolvido campanhas de sensibilização em vários eventos e comunidades do país.
“A saúde mental é um bem precioso que a juventude deve proteger. O consumo e a comercialização de drogas constituem uma ameaça pública que não podemos ignorar”, frisou.
De acordo com o dirigente, a RENAJ continuará a apostar na educação cívica e na mobilização social, alertando os jovens para os riscos associados ao consumo de drogas e contribuindo para a sua reintegração social.
No que diz respeito às políticas públicas, o presidente da RENAJ defendeu um maior controlo das fronteiras aéreas, terrestres e marítimas, investimento na educação cívica e na promoção da cidadania juvenil, criação de oportunidades de emprego, disponibilização de espaços de lazer supervisionados e fortalecimento do apoio psicológico, com enfoque na prevenção e não apenas no tratamento.
“Se impedirmos a entrada de drogas no país, conseguiremos travar a sua comercialização e consumo. Ao mesmo tempo, é urgente educar os jovens para protegerem a sua saúde mental”, afirmou.
O líder da RENAJ sublinhou igualmente o papel das famílias e da comunidade no combate ao tráfico e ao consumo de drogas.
“Há famílias que protegem traficantes por dependerem financeiramente do dinheiro da droga. Isso é um erro grave. A responsabilidade de combater o tráfico e o consumo é de todos nós”, advertiu.
Segundo Adulai Djaura, o aumento do número de jovens internados em centros de reabilitação revela um cenário preocupante.
“Estamos alarmados com a necessidade crescente de centros de acolhimento. Isso demonstra que a situação não está bem. É essencial que esses espaços promovam uma verdadeira recuperação, com técnicos especializados e condições adequadas”, defendeu.
Questionado sobre o recente caso de uma aeronave que aterrrou em plena luz do dia transportando mais de duas toneladas de droga, o presidente da RENAJ afirmou que o episódio evidencia a vulnerabilidade das fronteiras nacionais e a urgência de um controlo mais rigoroso.
“A escolha da Guiné-Bissau como ponto de aterragem pode estar ligada à perceção de impunidade. As autoridades precisam de reforçar urgentemente as medidas de vigilância”, alertou.
O dirigente juvenil chamou também atenção para a situação das meninas, consideradas especialmente vulneráveis.
“As meninas continuam expostas em quase todos os aspetos. É fundamental investir na sua educação desde a base e criar políticas que as protejam, inclusive contra o uso de cigarros eletrónicos, que têm servido de porta de entrada para o consumo de drogas”, afirmou.
Djaura criticou ainda a fraca atuação preventiva do Ministério da Saúde, defendendo uma abordagem mais abrangente.
“Não basta investir apenas no tratamento. É preciso reforçar a prevenção e a sensibilização desde cedo”, sublinhou.
“Apelamos aos jovens guineenses para que se afastem do consumo de drogas. A droga destrói a saúde mental e física e compromete o futuro do país. A juventude deve dedicar-se à construção de uma Guiné-Bissau melhor”, concluiu o presidente da RENAJ.
Fonte: Boletim Informativo do OGDT





















