A Associação da Confederação das Empresas Chinesas na Guiné-Bissau realizou, na segunda‑feira, 27 de abril de 2026, uma sessão de sensibilização dirigida aos empresários guineenses sobre as vantagens da Iniciativa Tarifa Zero para a exportação de produtos africanos para a China, medida que entra em vigor a 1 de maio do corrente ano.
O evento reuniu cerca de 30 empresas chinesas que operam em diversos setores na Guiné-Bissau, bem como aproximadamente 40 empresas e empreendedores guineenses provenientes de várias áreas de atividade.
O encontro teve como objetivo apoiar o setor empresarial nacional, promovendo uma melhor compreensão das políticas associadas à Tarifa Zero e criando oportunidades de ligação entre empresas chinesas e guineenses. Os empresários chineses destacaram, em particular, os setores das pescas (produtos do mar) e da agricultura, com ênfase na castanha de caju e no sésamo.
A sessão decorreu em três momentos distintos. O primeiro consistiu na abertura solene, que contou com a presença do Embaixador da República Popular da China na Guiné-Bissau, Yang Renhuo, e do Diretor‑Geral do Comércio Externo do Ministério do Comércio e Indústria, Lassana Fati.
O segundo momento foi marcado pela assinatura de um acordo de parceria entre a Associação da Confederação das Empresas Chinesas na Guiné-Bissau, representada por Sun Zhixiang, e a Câmara de Comércio, Agricultura, Indústria e Serviços (CCIAS), representada pelo seu presidente, Bacar Baldé.

A terceira e última parte da sessão foi dedicada à apresentação das atividades desenvolvidas pelas empresas nacionais e à análise de formas de cooperação e eventual apoio das empresas chinesas, com vista ao fortalecimento e à valorização do tecido empresarial guineense. O objetivo central é facilitar o acesso ao mercado chinês e beneficiar da abertura promovida pelo Governo da China em relação ao continente africano.
“TARIFA ZERO VAI AJUDAR NA REDUÇÃO DA POBREZA EM ÁFRICA” – DG Comércio
Na sua intervenção, o Diretor‑Geral do Comércio Externo, Lassana Fati, afirmou que a política de isenção total de tarifas a 53 países africanos, no âmbito da Tarifa Zero, representa não apenas uma grande oportunidade económica e comercial, mas também uma medida pragmática da China para apoiar a melhoria das condições de vida, a redução da pobreza, a revitalização e a aceleração do desenvolvimento em África.
“A agricultura é o pilar da economia da Guiné-Bissau e o sustento de inúmeras famílias nas zonas rurais. Durante muito tempo, o acesso limitado aos mercados e as dificuldades nos canais de exportação constituíram entraves significativos ao desenvolvimento dos agricultores e das empresas”, sublinhou.

Acrescentou ainda que a implementação unilateral da Tarifa Zero pela China, sem exigir reciprocidade na redução de taxas por parte da Guiné-Bissau, não é apenas uma medida comercial, mas um apoio económico de grande impacto, assente numa cooperação pragmática baseada na sinceridade, na confiança mútua e no benefício recíproco.
Neste contexto, Lassana Fati apelou ao setor privado para investir seriamente no potencial agrícola do país, apostar na diversificação da produção, na transformação local e no estabelecimento de parcerias comerciais sólidas, de modo a aproveitar plenamente esta oportunidade.
Referiu igualmente que o Ministério do Comércio e Indústria está disponível para acompanhar o empresariado nacional na descoberta e exploração do mercado chinês, aproveitando a ocasião para agradecer ao Governo chinês pelo apoio constante ao longo dos anos.
“Cada vez mais empresas chinesas têm-se estabelecido e investido na Guiné-Bissau, participando ativamente na construção de infraestruturas e no desenvolvimento industrial, o que tem contribuído de forma significativa para o progresso socioeconómico do país”, afirmou.
O responsável assegurou ainda que a Guiné-Bissau está disposta a caminhar lado a lado com a China, aprofundando a cooperação económica e comercial, partilhando oportunidades de desenvolvimento e escrevendo, em conjunto, um novo capítulo na amizade entre os dois países.
Embaixador Yang: “EMPRESAS CHINESAS PODEM APOIAR O PROCESSAMENTO LOCAL DOS PRODUTOS”
Por sua vez, o Embaixador da China na Guiné-Bissau, Yang Renhuo, manifestou convicção de que o regime de Tarifa Zero vai facilitar a exportação dos principais produtos guineenses, como a castanha de caju, o pescado, o sésamo e o amendoim.
Segundo o diplomata, esta iniciativa dará um forte impulso ao aprofundamento da cooperação económica e comercial sino‑guineense e ao reforço da parceria estratégica entre os dois países.
Para aproveitar plenamente esta oportunidade, Yang Renhuo destacou três aspetos fundamentais. O primeiro é incentivar a transformação local, sublinhando que a parte chinesa está disposta a apoiar as empresas chinesas interessadas em cooperar com empresas guineenses no processamento padronizado de produtos agrícolas e do pescado, acrescentando valor às matérias‑primas.
“É essencial transformar as matérias‑primas em produtos acabados, conformes e comercializáveis, com maior valor acrescentado, superando o último quilómetro da exportação para a China e permitindo que os dividendos da política beneficiem diretamente as comunidades locais”, afirmou.
O segundo aspeto prende‑se com a aceleração da implementação da Tarifa Zero, através do reforço do chamado “canal verde” para exportações, da facilitação comercial e da simplificação dos procedimentos, de modo a garantir que os benefícios cheguem de forma rápida e eficaz.

O terceiro ponto refere‑se à necessidade de um alinhamento preciso entre as empresas. Para Yang Renhuo, a sessão constituiu uma verdadeira ponte de cooperação, devendo as empresas das duas partes aproveitar a plataforma para realizar negociações diretas, trocar ideias presencialmente e alinhar vantagens, promovendo a evolução da cooperação de projetos isolados para um desenvolvimento integrado em cluster.
O presidente da Associação da Confederação das Empresas Chinesas na Guiné-Bissau, Sun Zhixiang, sublinhou que a Guiné-Bissau, enquanto parceiro da China e de África, está entre os primeiros beneficiários da Iniciativa Tarifa Zero, o que abre grandes oportunidades para produtos como a castanha de caju, os produtos do mar e as sementes de gergelim no mercado chinês.
“Organizámos este encontro para ajudar as empresas a compreender e a aproveitar ao máximo estas oportunidades. Trata‑se de um momento simbólico e muito importante, que marca um novo passo na cooperação entre as duas partes”, concluiu.
Por: Assana Sambú / Alison Cabral





















