40 anos de relações com Santa Sé : IGREJA CATÓLICA COMPROMETE-SE A PROMOVER A RECONCILIAÇÃO NACIONAL NA GUINÉ-BISSAU  

O Núncio Apostólico e Embaixador da Santa Sé na Guiné-Bissau, Dom Waldemar Sommertag, afirmou esta segunda-feira, 27 de abril de 2026, que a Igreja Católica está comprometida em promover a reconciliação nacional, sublinhando que esta só pode ser garantida através do empenho coletivo em prol de uma verdadeira estabilidade política e social, bem como de um desenvolvimento económico autêntico, sempre no pleno respeito pela ordem democrática do país.

“Este aniversário não é apenas uma ocasião para olhar para o passado com gratidão, mas também para renovar o compromisso com o futuro. Num mundo marcado por desafios complexos — desde tensões sociais e dificuldades económicas até questões ambientais — torna-se mais necessário do que nunca consolidar relações baseadas no diálogo e na cooperação internacional”, declarou o Embaixador da Santa Sé na Guiné-Bissau.

Dom Waldemar Sommertag falava durante o seu discurso por ocasião da celebração da festa do Papa e do 40.º aniversário do estabelecimento das relações diplomáticas entre a Santa Sé e a República da Guiné-Bissau. O evento decorreu numa unidade hoteleira da capital, Bissau, e contou com a presença de altas figuras da Igreja Católica no país, bem como de membros do Governo.

Segundo o Núncio Apostólico, estas quatro décadas representam um percurso significativo, marcado pelo diálogo permanente, pelo respeito mútuo e pela colaboração ao serviço do bem comum. Recordou ainda que as relações entre a Santa Sé e a Guiné-Bissau remontam a um período anterior, nomeadamente a 30 de dezembro de 1974, data em que o Papa Paulo VI instituiu a delegação apostólica no país.

Desde então, acrescentou, estas relações têm-se baseado em valores fundamentais como a dignidade da pessoa humana, a promoção da paz, a solidariedade entre os povos e o compromisso com o desenvolvimento humano integral.

Dom Waldemar Sommertag salientou ainda que, ao longo destes anos, a cooperação entre a Santa Sé e a Guiné-Bissau manifestou-se em diversos domínios, com especial destaque para a educação, a saúde e a assistência aos mais vulneráveis. De acordo com o diplomata, a presença da Igreja Católica no país tem contribuído, muitas vezes de forma discreta, mas eficaz, para o fortalecimento do tecido social e o apoio às comunidades locais.

Acrescentou que, ao longo das décadas, as relações bilaterais distinguiram-se pela continuidade do diálogo institucional, pelo apoio moral nos momentos de instabilidade política interna e pela colaboração constante nos domínios social e humanitário.

Em representação do Governo de Transição, a Secretária de Estado da Cooperação Internacional, Fatumata Jau, afirmou que, ao longo destes anos, a Santa Sé tem sido para a Guiné-Bissau um parceiro singular, não apenas no plano diplomático, mas sobretudo pela sua presença constante junto das comunidades guineenses.

Segundo a governante, através da ação da Igreja Católica, é possível testemunhar diariamente um contributo essencial nos domínios da educação, da saúde, da coesão social e da promoção dos valores humanos fundamentais.

Fatumata Jau destacou ainda que, num mundo marcado por incertezas, tensões e fragmentações crescentes, esta relação assume uma relevância acrescida, reconhecendo-se na Santa Sé uma voz de equilíbrio, de diálogo e de consciência moral. Para a responsável governamental, celebrar este aniversário representa não apenas um exercício de memória histórica, mas também uma oportunidade para projetar o futuro com ambição e esperança.

Por: Aguinaldo Ampa

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *